O tempo nos tira pra dançar

As horas, dias, meses e anos são correnteza. Controlamos o mergulho, perdemos o fôlego e, vez ou outra, flutuamos à deriva.

Com os braços abertos e olhos fechados, levito pelo rio da memória. Fio que conduz ao cais.

Até o próximo mergulho, até quando a angústia dos pulmões vazios obriga a retomar.

Voltar para a superfície é sobrevivência. Quanto mais tempo sendo barco a vela, mais profundo pode ser o mergulho seguinte.

Insistir em mergulhar sem fôlego é se afogar no próprio tempo.

Decidir é respirar.

Permitir ser deriva é se ouvir.

Não há posse do nosso próprio poço. Somos mesmo barco a vela.

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