Deixe ir

Muitas pessoas falam sobre o deixar ir como se fosse fácil. Até entendo quando nos aconselham a isso, mas é difícil tirar algo de dentro de si. Dói e machuca muito. Cultivamos o amor dentro de nós como se fosse uma árvore. Sei que essa metáfora é muito utilizada para exemplificar a ruptura de um relacionamento, mas é muito real. Quando plantamos algo é irrefutável a nossa alegria, pois caracteriza o começo de tudo. Regamos com carinho e aguardamos ansiosamente o passar do tempo para que possamos ver crescer e florescer. Todos os dias regamos, com sorriso no rosto e só cultivando tudo aquilo, até que se torna algo natural e passa a ser feito diariamente sem nenhum esforço, acaba sendo rotineiro. Depois de um certo tempo, o que foi plantado germina, cresce e fica lindo, dependendo de como você cuidou do seu cultivo. Eles criam raízes e ali permanecem, faça chuva ou faça sol. Sobrevivem a tempestades também. Algumas vezes chegam a ser danificados e seus galhos podem quebrar, mas se a raiz for forte o suficiente, vai suportar tudo isso e crescer novamente com flores frondosas, que dão gosto de se ver.

Como diria Fábio Jr: “De repente a gente põe a mão por dentro e arrancar o mal pela raiz” e precisamos tirar na raça aquela raiz que estava fincada naquele lugar. Podemos não perceber, mas aquela árvore que julgávamos estar linda e impecável, pode estar atrapalhando o crescimento de outras coisas ao seu redor. Como a raiz fica dentro da terra, podemos não perceber que ela se expandiu tanto, que estava atrapalhando para que coisas novas pudessem surgir naquela terra e que talvez você estivesse tão maravilhado com o que plantou, que não se deu conta dos cupins que estavam desgastando a sua árvore e acaba chegando na seguinte reflexão, de que por mais que doa, é preciso deixar ir. É necessário tirar aquela árvore dali. É difícil, muitas vezes não queremos acreditar, mas é o mesmo que acontece com o amor. Achamos que somos invencíveis, que nosso amor não tem nada de errado e sempre acreditamos que aquele ali será o seu final feliz, mas às vezes não é.

A dor da partida é ruim. Você chora, esperneia, surta, fica bêbado, se apoia em seus amigos e acha que aquilo nunca vai passar, mas passa. Sempre dizemos a nós mesmos que depois daquela situação não vamos mais nos apaixonar de novo, que amar é ruim, mas quando menos se espera o coração bate mais forte ao ver aquela pessoa por quem você jurou não se apaixonar. Lembre-se de que você precisa cuidar do que a raiz anterior deixou em você. Não adianta tentar germinar uma nova semente, que é tão pequenina, no mesmo buraco da árvore frondosa de outrora. Concorda que o espaço na terra seria grande demais é que a semente ficaria desprotegida, sempre na sombra da árvore que ali já habitou? Então em primeiro lugar cuide do terreno, cuide de você. Não na esperança de que mais rápido possível ali seja germinado novamente, mas por você, para sempre ter um terreno bonito, fértil e quando ele realmente estiver pronto, o destino vai se encarregar de mostrar alguém que vai te ajudar a cultivar aquela nova semente, regando, mantendo e fazendo com que cresça mais saudável do que antes, com mais cuidados para que cupins não habitem e que a árvore dê mais e mais frutos.

Então se for necessário, deixe ir. Coisas boas virão, pode ter certeza.

Moto X Play. Foto tirada em Ibitipoca-MG