Eu não estou sozinha.

Olha ai, já vai fazer um ano que entrei em uma universidade pública, na verdade um ano em março, mas hoje dia da consciência negra fiquei inspirada (risos) para escrever sobre minhas impressões como cotista em uma universidade pública.

Uma das primeiras coisas que eu reparei logo de cara, foi devido a minha troca de faculdade, deixei de ser bolsista em uma privada “popular” e fui para uma pública. Minha antiga turma em sua maioria tinha algum financiamento do governo para estudar, logo eu pensava que eles deveriam ter um pensamento mais “esquerdista”, mas era justamente o oposto, eles se posicionavam através do discurso conservador que conhecemos e isso me chocava. Esse foi o impacto ao chegar na federal, lá eu vejo pessoas(privilegiadas) discursando em favor das minorias e, graças a cota, também vejo a contra hegemonia inserida nesse debate.

Ou seja, ou seja,

uma atitude de entender o outro lado, vindo dos que fazem parte dessa classe privilegiada, o reconhecimento de que nem todo mundo ali tem a mesma realidade. Por parte dos cotistas percebo uma autoafirmação, porque eu já escutei histórias de que alguns estudantes ficavam deslocados por não pertencer aquele grupo(privilegiado) e omitiam sobre onde estudou por se sentir sozinho ou envergonhado, esse era meio receio. Acho que essa atitude de tomar para si sua cor, escola e classe nos legítima e nos integra, como unidade, dentro da universidade.

Nesse um ano vi que ser cotista:

é conversar com as tias da limpeza e escutar elas dizendo que a relação, ser notada, com os alunos melhorou nos últimos dois anos. (dados: 25% e 50% das vagas destinas aos cotistas nos últimos dois vestibulares).

É saber que o seu caso não é único e que você passa pelos meus problemas e questões que outras pessoas.

É usar isso como política dentro desse espaço e buscar as mesmas oportunidades que só privilegiados tinham.

Tu pode está achando esse papo muito romantizado, mas lógico que sei que muitos problemas ainda não foram superados, e por mais difícil e utópico que pareça, eu tenho esperança de que um dia, quem sabe, a gente não precise mais do sistema de cotas porque vamos ter um ensino igualitário de qualidade.

(E que os próximos cotistas carreguem menos pesos nos ombros do que nós).

Vamos à luta!

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