O mar que habita em mim

Eu não sei escrever coisas bonitas. Mas sei que você merece alguém te esperando no litoral, com o pôr do sol deixando tudo alaranjado. A areia há de ficar mais aconchegante quando sobre ela a gente rolar, adormecer, se descobrir, se bagunçar.

Eu não tenho bússola e meu coração não sabe aonde vai. Mas o mar que habita em mim quer você velejando por ele.

No lado Pacífico de mim, a calmaria de que tudo é como deve ser; e o amanhã ainda existirá para sentir o calor do seu corpo ao me tocar, e suar, grudar, tremer, arrepiar.

No Atlântico, as ondas a puxar e empurrar para a gente não se acomodar e nem deixar de olhar além do horizonte do nosso viver, aonde almejamos chegar e daquilo que nos faz sonhar, amar.

Eu não sei colocar as palavras em linhas que façam nexo nem nas entrelinhas. Mas as nuances desse céu azul e o movimento do meu cabelo que balança com esse vento representam a intensidade do acalento que mora no beijo no teu peito e no abraço na tua boca que desejo dar. Provar.

O Índico de mim é cheio de alegria, cantoria e a gente rodopiaria sem parar, como diz o Cícero naquela música em que nos acabamos de tanto escutar, dançar, declamar.

E no Ártico, enquanto tudo parece pequeno, frio e de uma profundidade que ninguém se arrisca a ver, vamos acender uma fogueira para aquecer a alma e enxergar a aurora boreal cheia de cor e luz a alimentar nossa confiança de que sempre iremos nos salvar e amar antes da nossa vida, por fim, atracar.

Acabar.


O quanto de verdade há no que escrevo? Não é algo que pretendo revelar, mas minha mente viaja. Viaja pelas possibilidades que sonhei e não aconteceram, nas histórias que vivi e estão descritas tim-tim por tim-tim nos parágrafos, no que ainda está por vir, no que já está aqui. Mas, no fim, confesso, o cara até existe, mas ele não sabe de mim. Au revoir.