Oi! Eu tenho Espírito Renascentista

Foto: Pexel.com

Quando era adolescente, ao pensar sobre o que eu queria ser, eu não enxergava com nitidez uma profissão. Ok, durante anos me convenci da ideia de fazer Arquitetura, mas, na minha cabeça, a imagem não era clara. O que eu via era uma mulher atarefada (não com uma carga grande de estresse como muitos devem imaginar) fazendo várias coisas com fluidez.

Não me tornei arquiteta, mas ainda mantenho um interesse, bem lá no fundo, em decoração de interiores. Sou jornalista e tenho vontade de aprender mais sobre fotografia, escrita, culinária, inglês e até cultura do surf (sim, isso mesmo).

Se você der uma olhadela no meu perfil no Medium, vai notar que até na hora de escrever eu tateio assuntos diferentes. Não posso negar, sou um Espírito Renascentista. Descoberta recente pra mim, mas esse termo tá rodando em livros, palestras e blogs faz um tempo. Aliás, até eu mesma já escrevi sobre o assunto no texto Eu cumpro missões, sem ter a menor noção disso.

Espera aí… Espírito Renascentista?

Isso significa que tenho múltiplos interesses. Algumas pessoas têm dois, outras têm três, quatro, cinco… Margaret Lobenstine dá um exemplo bem claro em seu livro “Os Novos Renascentistas”: Mozart e Benjamin Franklin (mas gosto de pensar em da Vinci também).

Mozart era, como sabemos, um cara incrível que tinha um único interesse: a música. Enquanto que Benjamin era jornalista, inventor, cientista, diplomata e tudo mais. A autora diz que isso era uma característica comum na era do Renascimento, as pessoas faziam e eram muitas coisas, sem problemas. Por isso, o termo Espírito Renascentista, ou Multipotencial. Mas, claro, não precisa ter nascido na época do Renascimento para ser uma pessoa com alma renascentista.

Você acha que tem Espírito Renascentista também?

Antes, eu preciso dizer que não tem problema nenhum você se ver perdido em meio a tantas possibilidades e querer seguir todas elas. Mas acho que deve estar cansado de escutar isso, porque a afirmação, geralmente, vem acompanhada de “logo encontrará seu caminho”, “pesquise sobre as opções que deseja e eleja uma”, “você precisa compreender o que causa esse desânimo no meio de um projeto que inicia e depois abandona”.

Eu quero falar que se descobrir multipotencial/espírito renascentista e dizer isso aos outros pode soar como desculpa para não assumir que você não sabe o que quer, ou parecer sonhador demais e até imaturo.

Devo contar também que dependendo da quantidade de interesses que você tem, é completamente impossível praticar todos ao mesmo tempo. E preciso dizer que é necessário desenvolver a sua paciência e entendimento de que nada do que escolher agora tem a obrigação de ser para sempre. E sim, precisa ter foco, mas não em apenas um único interesse.

Mas como?

Lobenstine propõe no decorrer do livro, diversos exercícios para que compreenda melhor seus anseios. Entre eles, é listar todos os interesses possíveis que você tem agora e, depois, optar por quatro deles para desenvolver nos próximos dias, meses ou anos. Alguns podem preferir trabalhar com menos interesses por vez, dependendo do seu objetivo e realidade. Mas o importante aqui é você aceitar o que é e começar a trilhar o caminho sem culpa com aquilo que gosta.

Outro exercício é saber se o interesse escolhido está de acordo com os seus valores atuais. Se para você a Família é um valor, talvez optar por um caminho que irá afastá-lo da sua e sacrificar muito do seu tempo com ela não é a melhor ideia no momento.

E claro, o tão conhecido e assustador planejamento. Se não quer começar uma nova faculdade, como poderá aprender o que precisa para desenvolver esse interesse? Como fará para divulgar esse novo projeto, se é que pretende ganhar dinheiro com isso? Quantas horas por semana se dedicará a atividade? Como conciliar o trabalho com tudo isso? E o dinheiro?

É coisa demais!

É muita informação pra absorver e coisas para planejar e, principalmente, colocar em prática. Mas, vem cá, saber que não tem probleminha gostar de várias coisas já é um alívio e tanto. Melhor ainda quando percebe ser possível desenvolver todos os interesses, com calma, no melhor tempo.

No início é confuso e ainda dá um certo receio. Talvez não tenha apoio no começo, e aí você terá que arrumar coragem de cada cantinho que encontrar. E tudo bem. Só não dá mais pra ficar repreendendo tudo o que te encanta.


Quer saber mais sobre o assunto? Tenho algumas coisas para indicar:

Livro “Os Novos Renascentistas”, de Margaret Lobenstine

TedTalks da Emilie Wapnick

Blog Multipotenciais do Brasil