Por que eu viajo sozinha

Aeroporto Santos Dumont (RJ)

Algumas pessoas viajam sozinhas por terem o sangue aventureiro correndo nas veias, ou porque preferem assim. Mas a minha motivação é outra.

Toda a minha adolescência eu me imaginei sendo uma pessoa independente. Mas não de forma solitária, vamos assim dizer. Ou seja, eu sempre precisava que alguém estivesse comigo para realizar/fazer alguma coisa que eu desejasse.

Praia do Prumirim e Félix (SP)

Milhares de ideias foram compartilhadas com amigos, e boa parte delas ficaram soltas no ar ou na agenda em que fiz uma listinha chamada “18 coisas para fazermos antes dos 20”.

Entre essas 18 coisas, estava voar de balão. Pesquisei local, preços, melhor época, mas nada saía, durante anos. Teve até um outro dia em que chamei um grande amigo (por quem eu era apaixonada, inclusive) para voar de balão. Ele não me levou a sério. E eu já tinha passado dos 20.

Foi aí que me vi obrigada a tomar as rédeas. Mandei e-mail para as empresas que realizavam os voos, juntei uma grana, pedi carona pra minha mãe (mas fui eu que paguei o combustível, tá? risos) e às 5h de algum dia do mês de agosto de 2014 eu estava lá, pronta para realizar algo que desejava há anos e ver um incrível nascer do sol.

Voo de balão em Boituva (SP)

A verdade, simples, me pareceu um pouco dura, mas muito clara naquele dia, lá de cima: eu não posso depender dos outros para realizar os meus desejos.

E desde então tem sido assim quando quero viajar ou fazer algum curso/workshop em outra cidade durante alguns dias. É claro que eu queria alguém ali, do ladinho, compartilhando tudo; não tenho dúvidas de que seja gostoso. Mas as pessoas, às vezes, têm outras prioridades no momento, algumas limitações, não é o tempo certo delas. E enquanto não encontro alguém que olhe na mesma direção, que esteja no mesmo compasso, sigo como for, vou em frente com o que tenho: eu mesma e uns trocados no bolso.

Praia do Félix (SP)

Coleciono histórias, imagino outras que poderia viver, fotografo lugares que me enchem os olhos, e vou tomando coragem para tomar mais decisões consideradas insensatas, mas que irão me levar para uma vida que alguns (espero que pouquíssimos) apenas sonham em ter.


O quanto de verdade há no que escrevo? Não é algo que pretendo revelar, mas minha mente viaja. Viaja pelas possibilidades que sonhei e não aconteceram, nas histórias que vivi e estão descritas tim-tim por tim-tim nos parágrafos, no que ainda está por vir, no que já está aqui.