Criamos números e menos interrogações

A velocidade da vida, da sociedade, evolução dos pensamentos, costumes e comportamento das pessoas a cada ano são mais fugazes e dinâmicos.

Essa velocidade de interação e conectividade entre as pessoas nos tornaram seres menos perceptíveis e mais intuitivos, ou seja, agimos pela intuição e pouco pela percepção. Muitas vezes quando somos parados afim de esclarecer alguma dúvida de alguma pessoa na rua, nós sem ao menos ouvir o que a pessoa nos perguntou já temos uma habilidade de formula uma resposta pautada em nossa intuição sobre a possível pergunta (por mais que não seja a resposta ideal para aquela pergunta). É dessa forma que Claudio Thebas* publicou um vídeo “Fala que não te escuto” fazendo perguntas maléfica para as pessoas na rua e obtendo respostas o tanto quanto cómicas.

Nós atualmente vivemos no automático da vida, tudo é tão veloz e acontecendo ao mesmo que tempo que sem ao perceber ligamos um botão e estamos deixando nossa nave flutuar automaticamente sobre a bolha que criamos.

Estamos criando um universo paralelo, um espaço intangível dentro de um universo tangível, mas em qual desses universos estamos vivendo?

Temos a habilidade de criar desejos e sensações dentro daquilo que não é material, através de tecnologias e pensamentos, criamos um mundo que podemos dar cores, nomes, significados e ações a determinados elementos inexistiveis a nossa realidade (Pokemon Go**).

A velocidade da evolução humana nos faz questionar a que ponto chegaremos daqui a 20 anos, onde será que o que eu enxergo é realidade ou apenas ficção da tecnologia que estará nos dominando ou da comunicação que estará nos influenciando?

Nos tornamos cada vez mais seres com aptidão de uma imaginação imensa, temos a habilidade de se comunicar em 3 telas ao mesmo tempo com um grupo de diversas pessoas, mas temos a dificuldade de se aprofundar com um senso crítico em apenas um conteúdo. Criamos diversas tarefas com as quais conseguimos tão bem concluí-las, mas em nenhuma delas conseguimos aprender e compartilhar com as pessoas de maneira explícita e direta com um senso crítico bem apurado

Estamos cada vez mais nos tornando seres práticos ou como preferir robôs humanos, e menos seres pensantes e críticos.

Devemos nos questionar mais como gastamos nosso tempo, pois nós seres que vivenciamos da era da informação nos preocupamos muito com a quantidade e não com a qualidade de conteúdos que devemos absorver e compartilhar, sinto que precisamos nos questionar sobre o tempo de vida que gastamos atrás de quantatividade, pois estamos criando números e menos Interrogações.


* Claudio Thebas — Escritor, palhaço, e integrante do Jogando no Quintal, grupo teatral paulistano pioneiro na linguagem do improviso no Brasil. É também co-criador do núcleo de palhaços chamado Forças Armadas, que atua em regiões que passam por crises de algum tipo, como catástrofes naturais, desigualdade social, etc. O fato de trabalhar sempre em relação direta com as pessoas o fez voltar seu interesse sobre a escuta, ou melhor, a falta dela, e como esta afeta a nossa sociedade.

** Pokémon GO é um jogo eletrônico free-to-play de realidade aumentada voltado para smartphones. Foi desenvolvido por uma colaboração entre a Niantic, Inc., a Nintendo e a The Pokémon Company para as plataformas iOS e Android.