Jornalismo e liberdade
Um breve retrato de Silvia Lisboa

Se abria a porta de entrada do escritório da Agência Fronteira. As paredes verde-escuro lembravam um enorme quadro negro, com anotações em giz entre as capas de revistas feitas pelos sócios da agência, emolduradas com orgulho. As edições da Super Interessante, Galileu, Saúde, entre outras, dividiam a sala com as estantes de caixotes reciclados repletos de livros. Sentados ao lado da janela, um de frente para o outro, em lados opostos da grande mesa de trabalho, estavam Silvia Lisboa e Alexandre de Santi, sócios tanto na empresa quanto na vida de casados.
O escritório é um ambiente aconchegante, e Silvia, bem-humorada, não se abstém da conversa e do riso, sem perder o foco do trabalho. Escrevendo um especial sobre o nazismo no Brasil, ria e comentava com os colegas tirinhas satirizando Adolf Hitler — retratado no Leblon, íntimo da população carioca. Silvia acredita na liberdade e independência do jornalista que, segundo ela, não precisa ou deve depender das grandes mídias ou do trabalho de carteira assinada, ainda que reconheça a importância e experiência provinda do trabalho nos jornais diários.

Silvia revela como o trabalho em conjunto dos jornalistas independentes é importante — principalmente quando se trata de reportagens extensas. Pela necessidade de pautas a preencher, o repórter freelancer precisa sempre estar pensando em seu próximo trabalho, o que, para ela, é um desafio. “Tu tá envolvido na matéria, mas tem que estar pensando em oferecer outras matérias, em outro tipo de trabalho pra tu ter um fluxo”, explica. Apesar das dificuldades, a repórter prefere a liberdade do trabalho independente. Escolher e escrever as próprias pautas, perseguir a informação à própria maneira e não depender das ferramentas facilitadoras da redação dá uma grande autonomia ao jornalista, apesar de requerer um muito maior preparo.
Silvia dá grande importância para reportagens voltadas ao meio científico — explicar às pessoas como o mundo funciona. Contou sobre duas reportagens que realizou: sobre os fenômenos sociais causados pelo aumento da população idosa para a ZH e outra para uma ONG americana sobre o trabalho não remunerado, o trabalho materno. Se abrindo aos assuntos, a jornalista se interessou e já planeja perseguir uma nova pauta: sobre o rigor extremo da justiça contra a mulher, impressionada com a severidade colocada às mulheres no Brasil.
Ao fim do seu expediente, próximo às 18h, a freelancer deixa profissão um pouco de lado, ao ir com seu sócio, ou melhor, marido, buscar os filhos na escola para voltar para a casa.

