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'some body, anybody' at south main gallery. vancouver. feat. works by moody rose christopher, gabriela godoi, sharona franklin, sara khan and m.e. sparks.

[curatorial statement]

South Main Gallery | Vancouver, BC | March 2–24, 2019 | Artists: Moody Rose Christopher, Gabriela Godoi, Sharona Franklin, Sara Khan and M.E. Sparks

Five artists were invited to choose or produce works that answer a simple yet complex question: how does it feel to be in your body today?

The answers come in multiple formats, mediums, and subject matters. Moody Rose Christopher, a self-taught trans artist, works with collage, ceramic, textile, painting and tattooing, to create surreal domestic scenes that become windows into worlds which explore spectrums of gender, mental illness and human absurdity. Her paintings in the show depict nude faceless female figures, hidden amidst a colourful chaos of objects and glitter. “The personal is the political” became a slogan that captured the sense that domestic contests for equal rights in the home and within sexual relationships are crucial to the struggle for equal rights in the public. …


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(foto meramente ilustrativa de um bando de golfinhos cuja autoria não faço ideia)

A última vez em que eu vi um bando de golfinhos eu tive que fazer cocô em um saco de lixo — não necessariamente por uma relação de causa e efeito. Era um feriado prolongado e fui com cinco amigas passar uns dias em um barco, em uma baía perto de Paraty. Sol, bons drinques (músicas nem tanto — o hit era Creme do Verão), e tomatinhos cereja com mussarela de búfala, azeite e sal, porque a Tia Bia ensinou a Julia à receber muito bem.

Era uma segunda-feira, seis de setembro de dois mil e dez. O dia começou com um passeio de bote, vendo um sem fim de golfinhos dando show. Uns quarenta ou cinquenta deles, que pulavam, nadavam em volta da gente, jogavam água — aquelas coisas que golfinhos fazem. Mal sabíamos que meu personal show de horror estava para começar. …


O sítio-da-minha-avó sempre foi um lugar meio mágico. O sítio é (era?) da minha avó e do meu avô — provavelmente, mais do meu avô, porque chama (chamava?) Haras HB. O sítio, de haras, não tinha nada. Quer dizer, teve alguns cavalos aleatórios — tipo a Princesa, que um dia gorfou verde no ombro do meu pai, enquanto ele puxava ela, e eu ia sentada na sela; e um cavalo-chique, desses de raça, igual a gente vê em filme e no Central Park, puxando carruagem. …


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The work of artists like Fred Herzog, Jeff Wall, and Barrie Jones are showcased in ‘Pictures From Here,’ an exhibition meant to both acknowledge the importance of Vancouver photography and disrupt expectations of it. — Photo by Fred Herzog

VANCOUVER — In Pictures from Here, an exhibition at the Vancouver Art Gallery curated by Grant Arnold, Audain Curator of British Columbia Art, the viewer is invited to see Vancouver through the lenses of more than 20 artists. With works dating from the 1950s to present day, the city and its inhabitants are depicted in a range of photography-based mediums like prints, light-boxes, videos, and installations. …


Contextualizando: Era uma vez uma criança brava. Uma menina com cabelo-de-menino, mandona, que emburrava no canto quando contrariada e podia passar horas sem pronunciar uma única palavra como modo de protesto. Era uma vez uma menina que não conseguia pedir desculpas, e que acordava às 5h da manhã e, por não saber mudar o canal da televisão, assistia Telecurso 2000. Era uma vez uma criança que nunca foi verticalmente favorecida e tinha cara de anjo, mas era o gênio-do-crime e mestra em se esquivar quando a bronca chegava. Era uma vez uma criança que, quando perguntavam o que queria ser quando crescer, respondia: “chefe”. …


A Nísia não chama Nísia. Não chamava, aliás, porque a Nísia já morreu. Mas eu sempre chamei a Nísia de Nísia e, vinte e sete anos depois, não é agora que isso vai mudar.

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A Nísia foi quem me criou. Tem gente que é criada pela mãe, pelo pai, pela mãe E pelo pai, se der sorte na loteria das famílias, pelos avós… Mas foi a Nísia quem me criou. Não só ela. Ela e mais algumas várias pessoas, na verdade. E eu vou falar dessas pessoas depois. Mas esse capítulo é só sobre a Nísia.

A Nísia era, teoricamente, a cozinheira lá de casa. Teoricamente só, porque, na prática, ela tava mais para general. Sem querer desmerecer a comida: a Nísia cozinhava maravilhosamente bem, mas meu paladar infantil — que perdura até hoje — nunca soube dar muito valor, mas é que ela era muito mais do que o arroz e feijão. A Nísia era quem mandava e desmandava. Em mim, na minha irmã, na minha mãe, no meu pai, nos bichos e nas Dals (que merecem um capítulo à parte). …


Every time I see a headline or an exhibition with “Female Artists” or “Women Artists” or “Black Artists” or “Latin American Artists” or “[Whatever People Segmentation Word] Artists” I die a little.

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To think that, in 2017, with all the progress we had, the arts community — which, in theory, is (or should be) forward-thinking and avant-garde and liberal — still classifies and box in artists is, at least, sad.

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Yes, unfortunately, the word ‘artist’ is still a synonym of white-male. From Cézanne to Picasso, to Van Gogh, to Matisse, to Pollock, to Andy Warhol, to David Hockney, to Jeff Koons and Damien Hirst: all the blockbusters, show-stoppers, headliners are caucasian dudes. …


Não entendo escritores que sentam em cafés lotados e escrevem. Acho que poucas coisas são mais deprimentes (odeio este termo, mas fiquei com preguiça de procurar outro melhor) do que sentar, sozinho, num café lotado, munido somente de um caderno bege e uma lapiseira 0.7mm, sem escudo ou armadura, esperando o celular tocar. (Não vai tocar).

Não faz sentido. Vim de metrô, sozinho. Quis vir sozinho. E, agora, me sinto sozinho. Idiota. Não era este o propósito desde o início? Tirar um tempo para você mesmo? Para ficar sozinho? Então por que estou me sentindo assim? Não quero ir para casa. …


Maior sensação esquisita, essa.
Como assim, mudou de idéia? Como assim, não quer mais? Como assim, vai embora? Como assim, como assim?

E quer ficar sozinho. Quem quer ficar sozinho? Não, não. Tá errado isso. Alguma coisa aconteceu.Será que foi a implicância com aquela bendita camisa? O excesso de mensagens? Será que arrumou outra?

Sim, deve ter arrumado outra. Com certeza, arrumou outra.
Uma mais biscate, mais peituda, mais besta. Deve ser aquela bolha oxigenada do trabalho.

‘Não quero mais’.
E eu com isso?
Não queria ver aquele filme, e vi. Não queria comer naquele restaurantezinho por quilo, e comi. Não queria fazer daquele jeito esquisito, e fiz. Nem tudo é do jeito que você quer, oras. …


A minha mão vai cair.

Sim, vai. Ela vai lentamente desfalecer, desrosquear-se do meu braço, e cair, agonizando, no meio deste monte de cadeiras espremidas nesta sala abafada.

Sim, ela vai cair. Não tem jeito.

Vai derreter. Primeiro, os dedos. O anelar (‘anelar’. ô palavra feia essa), mais especificamente. Sabe-se-lá-porque é nele que eu apóio a lapiseira.

Aliás, eu sei por que apóio nele. Quer dizer, não sei. Mas tenho uma teoria que foi comprovada (ok, não foi. mas finge que foi) por alguns cobaias (humanos — nada de testes em animaizinhos) que, quem desenha — ou gosta de desenhar- apóia a lapiseira (ou o lápis, a caneta ou qualquer coisa com que se queira desenhar) no famigerado dedo anelar. …

About

luiza brenner

mezzo português, mezzo inglês, mezzo gramaticalmente preguiçosa. sou mais legal desenhando.

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