partiu-se

Maior sensação esquisita, essa.
Como assim, mudou de idéia? Como assim, não quer mais? Como assim, vai embora? Como assim, como assim?

E quer ficar sozinho. Quem quer ficar sozinho? Não, não. Tá errado isso. Alguma coisa aconteceu.Será que foi a implicância com aquela bendita camisa? O excesso de mensagens? Será que arrumou outra?

Sim, deve ter arrumado outra. Com certeza, arrumou outra.
Uma mais biscate, mais peituda, mais besta. Deve ser aquela bolha oxigenada do trabalho.

‘Não quero mais’.
E eu com isso?
Não queria ver aquele filme, e vi. Não queria comer naquele restaurantezinho por quilo, e comi. Não queria fazer daquele jeito esquisito, e fiz. Nem tudo é do jeito que você quer, oras. Aceite.

‘Prefiro manter a amizade’
Ah, é? E fazer o que? Me ouvir falar incessantemente do quanto você é um babaca? E você vai concordar e dizer que eu era demais para você? E me trazer potes de sorvete e comédias românticas e falar que você nunca prestou, mesmo?Ou, melhor: Sair comigo pra comprar roupa, fazer maquiagem, cortar o cabelo e ir para a balada para dar para o cara mais gato que aparecer? É, acho que não.

Quer saber, quer ir? Então vai. Então some. Que o chão se abra e você vá lá para o fundo do fundo e more com os bichos esquisitos que tem por lá. Mas vai, e não volta. E não manda bilhete, ou recado, ou sinal de fumaça. Vai, só vai.

E eu vou é pro outro lado.