Esteban

Esse é o Esteban. Aparentemente ele pode parecer um cachorro comum, mas não é. Esteban tem dois anos, três meses e nove dias; tem, provavelmente, uns 35kg, não sei ao certo. Esteban gosta de comer deitado. Esteban chora quando pego uma sacola porque sabe que é hora de passear. Esteban faz chantagem emocional quando sabe que eu vou sair e não vou levá-lo. Esteban não gosta que ninguém me abrace na frente dele, sempre acha um jeito de chamar a atenção. Esteban gosta de patê de carne na ração. Esteban faz drama quando leva sermão, faz cara de vítima para receber carinho. Esteban peida (podre, muito podre). Esteban corre e pula no meu colo quando outros cães querem bater nele. Esteban sabe que quando toma banho pode deitar na minha cama (apesar de já estar passando do limite). Esteban não gosta de banho, antigamente ele fugia para baixo da mesa da cozinha. Esteban se mija quando me encontra depois de muito tempo, faz festa cada vez que chego em casa, mesmo se eu ficar 2 minutos fora- é, para ele dois minutos é muito tempo. Esteban gosta de deitar exatamente nos lugares onde a gente passa, quando leva um pisada (sem querer), ou, quando se machuca, se ninguém fala nada ele fica quieto, mas se tu abrir a boca pra falar alguma coisa ele chora, faz escândalo e vira de barriga para cima. Esteban não gosta de ficar sozinho. Esteban busca a bola para jogar com todo mundo que chega lá em casa. Esteban chega a ser chato de tanto que quer agradar. Esteban chora e me olha quando algum brinquedo cai fora do alcance enquanto brinca deitado, me pedindo para alcançar de volta. Esteban sabe quando alguém da família esta triste ou doente. Esteban sabe disfarçar se é pego no flagra, pricipalmente quando fuçava no lixo. Esteban é mimado, inteligente, preguiçoso, gordo, o “reizinho da casa”.
Lembro do dia que ele chegou; da primeira foto; do primeiro susto que ele me deu, enquanto era pequeno, quando pulou do sofá e pensei que tivesse machucado a pata. Acordava de madrugada para limpá-lo e limpar a sujeira que fazia; ficava ouvindo a respiração dele e acordava para verificar quando pensava ter parado de ouvir; acordava quando ele chorava, quando me chamava encostando o focinho no meu rosto; — na verdade ainda faço isso, com menos frenquência, mas faço.
No ínicio falei que o Esteban não era um cão comum. Bom, talvez ele seja, talvez ele tenha todas as caracteristicas normais de um cachorro. Mas para mim não, para mim ele é especial. Não sei qual é o sentimento de ter um filho, mas espero e acho que seja o mesmo sentimento que tenho por ele. O medo inexplicável de perdê-lo, de que alguma coisa aconteça, de que ele fique doente, triste, machucado. A saudade, quando fico até mesmo algumas horas longe. Quando vejo outros cães e lembro dele. Quando vou em algum lugar e penso “imagina o Esteban aqui”. Quando não canso de contar para meus amigos sobre as aventuras, os sustos e a vergonha que ele me faz passar. Quando fico olhando as fotos e vídeos antigos e atuais. Quando ouço Photograph e lembro dele.
O Esteban é foda.
Amigão, o pai te ama.
