A ambiguidade da representatividade LGBT no mundo música

O vídeo de uma artista drag queen mais visto no mundo é de uma cantora brasileira. Isto implica na visão distorcida que a mídia causa quando o assunto é a representação do público LGBT.

Em 2017, no Brasil, os artistas brasileiros que representam o público LGBT (Lésbico, Gay, Bissexual, Travesti, Transexual e Transgênero) ganharam fama nas grandes mídias, principalmente na arte de performar in drag. O nome ‘drag queen’ refere-se à arte de transformistas. São personagens, que utilizam roupas extravagantes e caricatas, criados para entretenimento artístico.

Phabullo Rodrigo da Silva é conhecido, no mundo da música, como Pablo Vittar. Uma cantora drag-queen nascida na cidade de Santa Inês, no estado do Maranhão, que ultrapassou o número de visualizações no Youtube, na classificação de clipe original, de transformistas norte-americanas já conhecidas no ramo de entretenimento. Chegando a atingir mais de 8,7 milhões visualizações em seu clipe “Todo Dia”, tornou-se a artista drag queen com mais views no site de streaming.

A indústria musical apropriou-se do sucesso das extravagâncias na atual situação, de conflitos entre os privilegiados e as minorias, que é visto como a representatividade da música brasileira atrelado à imagem do público LGBT brasileiro.

Pablo Vittar não é a primeira a ter nome na indústria da música como representante e ativista na mídia atual. Nomes de cantores como Liniker, Jaloo, Johnny Hooker, Lia Clark e Gloria Groove representam a gama de artistas, entre vários outros não citados, que quebram padrões na ‘regra de gênero’.

Existe um lado positivo neste fenômeno da industrialização do ‘diferente’: O fácil acesso ao conteúdo para os ignorantes. Ignorar o fato da existência dos indivíduos que não encaixam-se no padrão social de gênero inserido na sociedade, que traz os gêneros masculino e feminino definidos pelo órgão genital, enfatiza o impacto das grandes mídias no cotidiano.

A arte foi transformada em produto e o público sente-se cada vez mais representado por este. A própria indústria midiática implantou o padrão da identidade de gênero e agora vende o conserto dela por meio da música.

É importante ter uma influência significativa de artistas que representam o espectador que se identifica com o movimento LGBT, o apoio à causa é de extrema importância para a conquista de direitos para o movimento. Porém, implicar a arte de ser transformista como produto traz a ilusão ao público alheio: é como se o conceito da sociedade LGBT fosse apenas ser ‘vadia todo dia’ e emplacar hits durante o Carnaval com a glamourização da mídia ao invés de preocupar-se em diminuir os casos de intolerância mostrando o real cotidiano de quem sofre com o preconceito.

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