Filhos resilientes: um valioso legado.

Educar os filhos e ajudá-los na complicada (e “dolorosa”) tarefa de desenvolver a resiliência, não é nada fácil. Nós, pais, também somos constantemente desafiados a testar e exercitar a nossa habilidade de enfrentar as adversidades da criação. Muitas vezes, a vontade que a gente tem, mesmo quando eles crescem, é de colocá-los debaixo das asas, devolvê-los para o útero, fingir que não percebemos que eles já estão prontos para assumir os riscos e as consequências das suas escolhas. Nosso primeiro impulso é querer proteger, evitar as dificuldades e decepções da vida. Mas correr na frente, tirando todas as pedras do caminho, é adiar um tropeção que, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

Mesmo com toda dificuldade de dizer “não” e de gerar desconforto, decepção, fico feliz de ter resistido à ânsia de proteger meu filho do mundo. Disse muito “agora não dá”, “não tem dinheiro pra isso”, “não posso comprar”, “vai ter que ir mesmo sem vontade”, “vai ter que encarar, mesmo com medo”, “a vida é assim, nem sempre dá certo”. O coração aperta, mas hoje, vejo que foi uma dor necessária.

Filhos que exigem tudo do bom e do melhor, que esperneiam quando as coisas não saem do jeito que eles querem, que não percebem o mundo à sua volta, provavelmente se tornarão adultos frágeis, vitimizados, incapazes de lidar com problemas. Dar limites é preciso, além de ser um favor que você faz para eles e para o universo.

Tenho certeza de que essa árdua tarefa de mostrar a importância da resiliência, me ajudou a criar um homem corajoso, que sabe que a vida é dura pra quem é mole, que não busca os caminhos mais fáceis, que tem consciência de que não tá mole pra ninguém. Enfim, um adulto preparado para a vida — com todas as alegrias, tristezas, decepções e dificuldades que ela oferece.