Fragmentos de mais um blog falido #20

Sal Rosa do Himalaia

Ontem passei o dia inteiro me torturando em cima de um fato que ocorreu e eu queria escrever sobre, mas a vontade de fato de me por frente à tela do computador e escrever a respeito, era nula. Talvez seja por uma quase repetição de tema, talvez seja por que é algo meio chato pra mim, ou simplesmente seja pelo fato de que eu ando de saco cheio.

Após falar extensivamente sobre assuntos idiotas, e que, por mais que me incomode, posso traçar diversas coisas de volta para eles como uma possível origem, saí da terapia com um humor mais zoado do que eu tinha entrado. Fui então fazer o que minha mãe tinha pedido, que no final, era só por minha causa mesmo.

Recentemente, abriu um mercadinho aqui que eu nunca tinha ouvido falar, mas vi na internet que é algo significativamente grande e antigo, e minha mãe pediu para eu ir comprar a temida Proteína de Soja Texturizada lá, pois provavelmente teria um preço mais em conta. Após pedir pra pesarem o que eu queria, fui direto ao caixa, sem enrolação e ficar olhando que outras coisas haviam lá, pois eu queria ir até a biblioteca, e já havia perdido um bom tempo procurando esse mercado (que eu passei na frente duas vezes e não o percebi).

No caixa, encontrei com uma mulher que não devia ser muito mais velha que eu, com seu cabelo rosa e piercing no nariz, sorridente, por mais que fossem nove da manhã e ela estivesse trabalhando de caixa num lugar, que pelo menos naquele momento, estava quase que vazio, um ponto raro no meio de toda a correria do centro. Eis que sou acometido mais uma vez pelo mal que me enche de dúvidas, a nomeada previamente, Imaginação Platônica.

Afinal, o que faz alguém que trabalha de caixa numa loja com poucos clientes te dizer bom dia cedo pelo manhã, com uma aparente sinceridade e sorriso no rosto?

Essa interação durou menos de um minuto, segui meu rumo para a biblioteca, somente encontrando ela fechada, e deixei para trás meu troco, sendo só vinte centavos, falei que não precisava. Talvez o melhor troco que eu tenha ganhado seja, após falar de coisas tão incômodas e que não gosto de admitir que são incômodas (embora eu admita com facilidade), receber um bom dia e um sorriso de maneira tão espontânea, de fato fez meu dia ficar melhor.

Considerei voltar lá e falar com ela, mas que porra de pergunta eu faria? Por que ela parece tão alegre? Isso é idiota demais, e eu acabaria soando como um louco perseguindo-a.

Acho que a graça toda no final das contas, são esses pequenos momentos anônimos, onde não se sabe quem é a outra pessoa na interação, e ainda assim, dá para se tirar um bom momento. Não como quando alguém começa a reclamar da vida com você no ônibus, e falar sobre como a filha vai casar ou qualquer coisa aleatória que você não tá nem um pouco se importando , e sim quando você está esperando o ônibus, e senta do lado de alguém que lhe oferece uma bala e você comenta sobre os bottons da mochila dessa pessoa.

26 de abril de 2017

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