Fragmentos de mais um blog falido #21

Muito além de ir à Ceres

Eu ando protelando de maneira absurda para escrever nesse blog, infelizmente. Talvez a saída que eu tenha inventado para me manter ainda ativo já não seja tão efetiva quanto me pareceu. Pois bem, hoje trago um texto (nossa, que linguagem genérica de internet) que devo ter enrolado para escrever durante, acho que, duas semanas, assolado por dúvidas, mas que ainda assim, sinto a necessidade de fazê-lo, por mais que saia um pouco da proposta autoimposta desse blog (que eu já fugi outras vezes, só não quis admitir para mim mesmo).

Talvez seja estranho falar de algo, que de certa forma, da maneira mais indireta possível, esteja ligado a mim, e ao mesmo tempo equidistante, não tendo, de fato, nada a ver comigo senão alguns pontos de contato, como as marcas de meus dedos que marcam o vidro do copo. Não são meus dedos, embora uma vez estivessem lá, não alteram em nada o copo, senão por simplesmente dar um traço familiar, mas tão sutil, que somente eu sei onde ele está.

No início do ano, saiu um álbum que eu esperava a um tempo, e que mais ninguém esperava. Penso eu, pelo menos. Bom, talvez mais alguém esperasse mesmo, não é como se eu fosse onipresente, mas que, era um grupo seleto de pessoas que tinha algum conhecimento de tal.

Lembro até hoje quando Victor me passou uma música que havia composto, e que Vinícius havia feito algumas partes de guitarra. Achei a música fantástica, e, como ainda tínhamos a nossa banda, tentamos tocar ela algumas vezes, embora que, por inúmeros motivos, nunca saiu perfeita, seja por falha minha na hora de adaptar as duas guitarras em uma só, ou por qualquer outra coisa. Alguns meses depois, já sem banda, mas sem um decreto oficial de seu fim, Victor me conta sobre como começou a fazer algo com o irmão. Após alguma insistência curiosa minha, ele me manda um riff, e meu deus, como eu queria ver o resto daquele riff (que, infelizmente, ainda não existia, creio eu).

Acho que foi aí que nasceu, pelo menos para mim, a Sereno.

Meses passavam e a cada perambular na casa dos Damazio, seja por motivos bobos ou por motivos mais bobos ainda, eu sempre acabava repetindo a mesma pergunta de “Como anda aquele projeto lá?”

Demorou um bom tempo até que eles tivessem reunido todo o equipamento necessário, e que eu ouvisse um “confere isso aqui”, mas deus, como valeu a pena esse esperar. Talvez eu bote confiança demais no que são os Damazio. Talvez eu puxe saco demais de Victor por ele ser um amigo tão próximo meu, e com quem eu já passei bastante tempo falando de e fazendo música. Talvez eu espere demais de Vinícius, só por que ele entende a maior parte, senão todos, os referenciais que dou na hora de falar de algum artista. E deus, mesmo dormindo no sofá enquanto gravavam, aquilo soava tão bom.

Quando estava pronto, lá está a minha surpresa mais uma vez, pelo fato que soava melhor ainda do que durante as gravações. Eu não sei o quanto eles alternam entre si para mixar, mas como eu ponho fichas em Victor. Por fim, ainda montaram o próprio selo, ao lado da, também estimada por mim, LuvBugs. Vinícius me pediu alguns nomes para por na lista de sugestões inclusive, e eu não consegui pensar em nada muito bom de cara, mas o nome escolhido no final foi perfeito. Violeta Discos. Soa tão bem aos ouvidos, e é tão sonoro de se pronunciar, que me pergunto o por que de ninguém ter pensado nesse nome antes.

Talvez eu nunca saiba, de fato, qual o destino que as estrelas reservam ou tomam, mas, sei que Victor e Vinícius estarão lá, de alguma maneira, chovendo pequenas gotas de pedais de guitarra caçados por anos e referência a animes clássicos, sejam eles com as dublagens mais toscas que já vimos ou as melhores.

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Me pergunto se, indo à casa dos Damazio com tanta frequência como vou, um dia acabarei fazendo algo tão bom, mesmo que tão pequeno e desconhecido nesse mundo enorme das listas de lançamentos independentes, como eles já fizeram em um brevíssimo período de tempo.

Jesus was really so god-
Damn pretentious
Laughing with rasputin fingering scars over a beard
For all ten commandments and twelve steps
I’ll play dumb all day but the night’s too long
We keep beginning again and again longing to belong to only each new beginning

8 de maio de 2017

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