NADA ME VEM À MENTE, NEM VIRÁ

Essa história de ter o que dizer, sempre, não é tão simples. Outro dia estava eu a falar sobre o tal “bloqueio criativo”, que é quando a gente não consegue tirar nada da cachola além de fórmulas repetitivas, maçantes. Nessas horas, o melhor é apelar para um cantinho calmo, uma taça de vinho, um cigarro, dois dedos de prosa com os seus botões ou com um mentor que seja digno de tal título (veja lá?).
Sinto-me, nestas “noites” sombrias, como o Vagabundo, de Chaplin, em Tempos Modernos (1936). Lembram-se daquela cena na linha de produção onde todos os operários apertam parafusos e quando soa a sirena do almoço o protagonista sai a repetir o movimento de forma mecânica? São poucas as definições mais precisas do que seria o (mal) dito bloqueio. É a robotização da mente, do pensamento e da ação.
Mas ser criativo e produtivo todos os dias talvez seja apenas uma ideia que “existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer”, diria um melodiosamente preciso Lulu. Um ambiente de liberdade criativa, no entanto, pode tornar menos árdua a tarefa das cabeças pensantes do discurso, do texto, da imagem estática e em movimento com ou sem som e da música. Como ensina (o pai da física) Einstein. “Tudo o que é realmente grande e importante é criado em um ambiente de liberdade”. Ainda assim, mesmo os chinelos e as barbas fartas que circulam (às vezes passeiam) pelos corredores do Google e de inumeráveis startups (esta última vanguarda empreendedora do mundo) por aí não podem garantir, em “última instância”, a criação.
Caberia apelar então a uma força mística, como cantou o sambista carioca João Nogueira (1941–2000) no clássico popular Poder da Criação. “Ela é uma luz que chega de repente, com a rapidez de uma estrela cadente, que acende a mente e o coração”. Edison discordaria. Explicaria, com pragmatismo acadêmico, que o “gênio é 99% transpiração e 1% inspiração”. O é.
Após 25 precisos e preciosos minutos neste lugarzinho silencioso do mundo chamado alma minha, pude chegar ao menos a uma conclusão brilhante: melhor passar a lista dos afazeres mais objetivos para a parte de cima do checklist; com urgência.
O AUTOR: sou graduado em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá, com extensão em Planejamento em Comunicação e Comunicação Empresarial pela FGV. Fui repórter e redator em diversas revistas nacionais onde tratei de cultura/música e religião. Na condição de Gestor em Comunicação da plataforma de financiamento coletivo Sibite — de onde saí no ano passado — me atrevi a mergulhar de olhos abertos nas águas turvas de uma startup.