Meu primeiro e talvez único texto
Perdoem meu português, sou apenas um modesto estudante de Direito e, como vocês devem saber, já se passou o tempo em que juristas eram pessoas que dominavam a língua portuguesa, no momento atual, os advogados conhecem somente o juridiquês — uma combinação de português de 1750 com frases desconexas.
Por que publicar um texto que talvez nunca seja lido? eis a questão.
Acredito que a pergunta acima seja a premissa deste escrito. Vivemos em um período em que é fundamental ser ouvido, é imprescindível ter opinião, contudo, não é somente isso, existe a necessidade de ser escutado. Na era da tecnologia é interessante como podemos entrar em contato com o mundo através de um aparelho portátil, podemos emitir nossa opiniões sobre tudo e a qualquer momento. Mas e de onde vem essa necessidade de demonstrar nossas opiniões? Eu não sei, espero que algum pensador saiba responder essa questão.
Por óbvio eu tenho algumas ideias — invariavelmente despretenciosas — a respeito da temática proposta. Talvez tudo gire em torno de uma insegurança, uma necessidade de autoafirmação — nada que vocês nunca tenham ouvido falar. Um mundo de pessoas felizes. É interessante analisar que pessoas de diversas classes sociais fazem a mesma coisa, por exemplo, o bilionário e o jovem da periferia postam fotos sorrindo, sempre sorrindo, postam fotos do seu prato de comida, postam fotos da sua vida. Interessante como o homo sapiens tecnológico tem uma necessidade de mostrar sua vida, quase que um instinto. Mas reparem uma coisa, o mais importante não é expor a sua vida, o que mais importa é a contrapartida — você não é nada se não tiver curtidas.
Droga, não era para ser um texto sobre exposição da vida pessoal nas redes sociais, era para ser um texto sobre textos.
Algo interessante de se pensar é história de Anne Frank, uma menina judia que viveu na Holanda em meio a segunda guerra mundial. Anne escreveu um diário — que virou um dos livros mais vendidos e publicados da história- esse diário foi escrito despretensiosamente, era somente um diário de uma menina de 13 anos. Se fosse atualmente, Anne teria relatado seus momentos no twitter, postado fotos no instagram, compartilhado memes no facebook.
O ser humano sempre teve essa necessidade de expor sua vida, contar suas história s— todos têm aquele amigo chato que sempre conta sua vida E QUE NINGUÉM AGUENTA, né? — a diferença é que hoje podemos fazer isso a qualquer momento. SEMPRE SEREMOS OUVIDOS — em tese.
Entretanto, não são todos que serão escutados, nem todo mundo poderá ter voz, nem todos serão importantes. Portanto, por que eu escrevo um texto que nunca será lido?
