
Dupla personalidade
“O transtorno dissociativo de identidade, originalmente denominado transtorno de múltiplas personalidades, conhecido popularmente como dupla personalidade, é uma condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais personalidades ou identidades distintas, cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio. O pressuposto é que ao menos duas personalidades podem rotineiramente tomar o controle do comportamento do indivíduo.” — Wikipédia
Ao ler este significado, chego a conclusão de que isso é algo mais comum do que imaginamos. Com certeza as pessoas que tenham comprovadamente esta condição mental, agem com suas respectivas mudanças drásticas de atitudes e formas de encarar o mundo. No entanto, ao analisar a sociedade como um todo, vejo que o conceito intrínseco desta questão é algo mais presente do que imaginamos.
A maior parte de nós, ou pelo menos das pessoas do meu círculo, possuem dupla personalidade. Ou tripla, não sei. Mas nunca são um só. E as características operam exatamente de acordo com como prevê o significado:
Muda-se a maneira de perceber e interagir com o meio.
Será que eu estou indo muito além ou é algo que faz sentido? Muitos de nós não nos revestimos de capas totalmente diferentes quando adentramos os nossos lares e muitas vezes mudamos do “amigo várzea de festas” para o “filho educado e obediente”?
A questão não é o porque isso ocorre, mas sim a constatação de que isso simplesmente acontece. Somos muitos em um só! Reagimos diferentemente com os amigos mais próximos, com novas pessoas conhecidas em festas, “aumentamos” algumas características pessoais para certos colegas, omitimos outras e nas mais diversas ocasiões nos apresentamos como um outro alguém. Pode não ser proposital, mas isso simplesmente existe e ao dizer isso respondo tanto por mim, quanto por amigos que já vi e vejo fazerem o mesmo.
Esta questão pode resultar em um papo muito mais longo que este nosso de hoje, sendo que prefiro deixá-lo para vocês refletirem. Contudo, vocês já pensaram na questão de que muitos relacionamentos simplesmente não dão certo, pelo fato de as pessoas se apresentarem de forma mentirosa? As fotos são diferentes e os gostos nem sempre representam as manias do cotidiano. Inverdade fantasiada de perfil de rede social.
Todavia a dupla personalidade nos permite a capacidade da polimorfia. De sermos diferentes, sem jogo sujo, mas com o intuito de nos moldarmos o tempo inteiro e agradarmos aqueles que fazem questão de estar ao nosso redor. De aniquilar a possibilidade da decepção e de se preocupar com o bem-estar daqueles que, ao moldarmos a nós mesmos, sorriem por sermos quem somos.
Somos muitos o tempo inteiro, mas a grande preocupação precisa existir, principalmente, de nós consigo mesmos. Não podemos, nunca, confundir os nossos reais valores e ideais, pois quando nos perdemos em nossa própria consciência, imagine o que podemos ser capazes de fazer com a mentalidade alheia?
A dádiva vira doença.
No fim das contas, não importa se somos dois, três ou cinco, desde que saibamos que todos estes precisam trabalhar juntos, em prol da paz espiritual, mental e física de um mesmo corpo. Todos os dias acordamos um pouco diferentes e de alguma maneira essa personalidade muda. Isso nunca será ruim! Basta que tenhamos consciência de que estamos em constante mudança e que a nossa sobriedade depende disso. O oásis da vida é composto pela oscilação e evolução humana. Somos vários em um só. Somos um só fragmentado em vários. Sempre.
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