Supermercados, agora é a sua vez.

Transporte sempre foi um problema para grande parte das pessoas. O transporte público está sempre lotado, com poucos horários disponíveis e não leva as pessoas exatamente onde elas querem ir. O carro próprio, além de caro, sempre com vários problemas: achar estacionamento, preocupação de deixá-lo em um lugar seguro, necessidade de pagar rotativo, gasto com manutenção, tempo perdido dirigindo horas em um engarrafamento, etc. E quando queríamos sair e beber? Éramos” assaltados” pela bandeira 2 depois de esperar horas por um Táxi. Segundo dados do Departamento de Estudos Econômicos(DEE) as corridas de táxi tiveram uma queda de preço de 12,1% nas capitais entre 2014 e 2016, com a chegada do Uber no país.

A comunicação também era uma coisa cara até pouco tempo atrás no Brasil. As operadoras de telefonia brasileiras dominavam o mercado cobrando altos valores por sms ou ligação, de forma que as pessoas tinham dificuldades de manter um diálogo à distância. E olha que em 2012 já enviavamos 19 bilhões de mensagens por aplicativos por dia no mundo, mas o sms ainda representava 17,6 bilhões. E hoje, você se lembra a ultima vez que enviou um sms?

Sair para comer? Batia aquela vontade de comer um japonês, mas o mais próximo ficava a 15 minutos de carro e você ali, querendo ficar tranquilo, curtindo seu domingo em casa.
 
Ah, também tinham aquelas viagens de carro com os amigos. Uma maravilha até que o stress do caminho errado, de ficarmos perdidos em lugares desconhecidos, das viagens que já eram longas e ficavam ainda mais longas por termos pego um viaduto errado, incomodava a todos.

Todos estes problemas foram resolvidos na última década pelo Uber, WhatsApp, Ifood, Waze, Google Maps, dentre outras empresas de tecnologia que deixam a vida cada vez mais certa, para o tamanho exato de cada um de nós. Hoje, num dia típico, eu acordo e o Google me informa como está o trânsito para meu trabalho. Se eu vou de Uber, a primeira opção da barra pesquisar já é o escritório e posso ir trabalhando no caminho. Ah, mas bateu aquela fome e eu não posso sair do trabalho para comer? O Ifood ou o Rappi resolvem meu problema e levam a minha comida até mim, eles já sabem até os restaurantes que eu mais gosto. Para gerir um time a distância, o WhatsApp encurta qualquer dúvida ou conversa. E se eu vou de carro, o Waze ou o Google Maps me acompanham até meu destino final.

Mas ainda assim, fazer comida em casa fica mais barato e fica fácil fazer minha dieta. Ainda assim, preciso de materiais de limpeza para limpar meu apartamento. Ainda assim, gosto de comprar um pão no café da manhã, ter frutas na geladeira ou uma cerveja e um amendoim japonês para receber um amigo. E é por isso que eu preciso ir no Supermercados. O Supermercado não é feito para mim como as outras experiências que citei acima. Ele não sabe sequer meu nome. Eu moro perto de dois, mas não sei em qual devo ir para ser mais econômico. Muitas vezes eu prefiro ir na padaria do lado, ou no açougue do lado, a verdade é que ele não me fidelizou, ele não descobriu meu número, ele não me oferece uma experiência de compra personalizada que facilite a minha vida e economize o meu tempo.

E aí Supermercado, quando você vai acordar? Eu já passei aí 3 vezes essa semana, mas o frango estava caro demais, me avisa quando baixar? Eu não compro tanto vinho, mas se você me avisar quando aquele Cabernet Sauvignon da última vez baixar o preço eu animo comprar! Ah, aquela carne do açougue, não é melhor que sua, mas o açougue estava do lado, e como eu te falei, você não me fidelizou. Eu sei, que as vezes você diz que vai me dar um prêmio, mas eu nunca ganhei, eu até tentei, mas acho que cheguei atrasado, já tinham expirado o meu presente. Não sei, mas acho que você tá dando mole. Eu ouvi falar de alguns dos seus concorrentes, dizem que estão dando dinheiro de volta em vez de prêmios. Ouvi falar também que eles avisam por email e pelo aplicativo quando o frango está com promoção. E disse um amigo meu, que ganhou R$10 só pra deixar de comprar carne no açougue e comprar com eles, e sabe que ele acostumou e só compra lá agora? É, eles até chamam esse meu amigo pelo nome. Eu fui lá uma certa vez, a moça do caixa pediu gentilmente para que eu desse meu telefone, disse que um tal de Méliuz ia me dar dinheiro por eu ter comprado lá e que também ia me avisar assim que tivesse uma boa promoção. Eu dei, afinal de contas, hoje em dia, poucas pessoas estão me dando presentes, quanto mais um supermercado.