Por que desistem de mim?

Por: Lucas Alexandrio

Eu nunca fui uma pessoa fácil de se lidar, porquê desistem de mim? Sei que sou complexo, poeta, distante do impossível, emocional e racional demais ao mesmo tempo, sei que sou um milhão de mim. Mas se você não soltar a minha mão, nós nos encaixaremos em milhões de coisas.

Talvez pelas minhas loucuras, pelos meus delírios e sonhos, talvez pelas minhas alegrias e minhas tristezas. Ou então, talvez pelos meus trejeitos femininos e porra qual o problema em ser o que somos? Nenhum!

Nunca tive com quem conversar quando era pequeno e por alguns outros motivos, me fechei em um casulo de emoções onde somente eu me encontraria e me perderia todos os dias. Criava em mim então, uma grande falta.

Eu já era uma grande falta. Esse espaço em branco chegou a seguir por anos e as pessoas ao meu redor se aproximando, comecei a ter bons amigos, bons inimigos e tudo era uma enorme festa. Estava feliz, parecia que agora tudo iria se ajeitar. E não, se a vida não fosse um caos, ela simplesmente não teria graça.

Uma hora os sentimentos são mútuos e outra totalmente divergentes.

Achei que cresci, mas estava disposto a inverter o que considerava ser um relacionamento: vivia pedindo desde os doze anos a alguém dos céus, para que não me deixasse morrer sozinho. Quando surgia vontades de me matar, aos treze, e com a faca pressionada sob minha pele, a única coisa que surgiu em minha mente fora: “É isso? Será que eu vou ser tão egoísta a ponto de morrer com tanto amor guardado em mim?”. E essa vontade de me dar por inteiro e nunca por metades, tinha acabado de me salvar.

Aos quatorze, fui colocado no sofá por estar vivendo três meses em uma intensa depressão, que nem a Geografia poderia explicar. Meu pai sentado ao meu lado, falando e falando, uma hora me encontrou no poço e me puxou de volta. Jamais achei que seria apoiado. A partir daquele dia, segui forte e resistente, com uma amiga que se tornou gigantesca em meu peito. Restaurei-me e saí daquela depressão que tanto me consumia.

Caí em outra: a falta de amor. Aos quinze anos, pela primeira vez naquela imensurável busca por alguém, pela internet conheci um menino entregue que até então me salvou dessa escuridão.

Vivemos bons momentos virtuais e reais, saímos algumas vezes e tudo era incrível e novo para mim. Vivi como se tudo fosse um enorme filme que terminou com um erro meu. Eu quis parar de gravar na metade desse filme que acabou se tornando um curta.

Dos quinze anos até os dias atuais, com dezessete. Conheci centenas de pessoas, beijei mais que cem, para tentar suprir as minhas faltas. E alguns, beijei por que estava apaixonado, e mesmo assim não fui suficiente para que eles sentissem o mesmo. Transei com muitos, para tentar saturar a minha existência que sempre escorre. Namorei mais alguns homens, que foram importantes em seus pontos. E nesses problemas confusos, a única solução que encontrei para aguentar todos os que desistiram de investir em mim era achar um ponto bom em cada relação e nas sensações boas que me deram, nos ensinamentos que recebi e que dei e usar os pontos ruins para me ajudarem a esquecer. Talvez seja melhor guardar tudo numa gavetinha cinza sem etiquetas e assim dificultar a minha busca.

Hoje, aos dezessete anosquase que a um passo dos dezoito, percebo o vazio que estou preenchendo sozinho. Agora sei me amar, agora sei que estou pronto, também sei que devo melhorar, agora sei que o amor acontece e que devo esperar. Agora eu cresci, agora sei que posso fazer coisas boas por alguém e sempre procurar entregar a minha luz, agora sei quem sou e que gosto de ser o que sou, entendo como são os relacionamentos, entendo que não pertencemos a ninguém mas que podemos nos entregar para amarmos por inteiro. Sinto que sou infinitamente forte, mas sempre despenco porquê é normal não ser indestrutível. E mesmo assim me sinto frágil, eu gosto de viver grandes premiações, filmes, séries, espetáculos, peças, esquetes, ensaios, treinamentos, inícios.

E mesmo com essa glória, tudo o que vivo são grandes shows. Que me esquentam, que me dão alegria, que eu canto alto, que permitem ser você, mas que mesmo assim uma hora vai acabar. E não demora muito. São inesquecíveis, porém, terminam.

E quando não sou eu que digo que não da mais — até porque não quero viver um relacionamento abusivo — são eles. Não quero mais achar que estou em shows, em nada disso. Quero um relacionamento que me faça ver que estou simplesmente vivo. E sempre tento entender:

Por que desistem de mim?