Sobre copos d’água

Quando eu era mais novo, tinha uma mania meio estranha de encher copos d’água, beber até a metade e jogar o resto da água fora. Sim! Não sei o porque. Na real, às vezes me pego fazendo isso (risos). Já levei muitas broncas dos meus pais, afinal, jogar a água fora, não faz sentido.

Mas por quê falar sobre isso? Por quê falar sobre os copos jogados fora?

Vamos lá! Durante toda minha vida acadêmica e desde quando eu comecei a trabalhar, me vi num dilema de querer fazer mil coisas e tive a sorte de adquirir algumas aptidões, pesquisando e aprendendo. Sei um pouco de algumas coisas, mas acho que não sou especialista em nada. Saber um ‘cadim de algumas coisas’, já pagou muitas contas no bar e muitas faturas do cartão, mas sempre que precisei dar o segundo passo, percebia que me faltava profundidade. Isso é ruim!

Esse texto é sobre os copos meio cheios que deixamos na pia.

Aplicando esse pensamento no atual momento político do nosso país, podemos ver pessoas ‘mais politizadas’ e isso é bom, mas elas ainda são rasas em relação a isso e é compreensível. Porém, preocupante é a forma como lidamos com essa falta de profundidade, jogar metade do copo d’água fora, virou um hábito pra mim e, por um momento, saber pouco de alguma coisa era mergulhar sem sentir o mar. Digamos que isso nos deixa na famigerada ‘Zona de conforto’.

Talvez seja um 'problema' cultural, onde somos guiados a agir deste modo. Não sou adepto de jargões como: 'Brasileiro é foda; Brasil é uma merda; Nos Estados Unidos não é assim’. Afinal, a única viagem que eu faço é da minha casa pro trabalho/faculdade e depois volto. Tenho família no Espírito Santo e já fiz algumas visitas, mas é aqui do lado do RJ, não conta.

Partindo pro âmbito música, tem uma frase da música “Pela música part. 2" do rapper português Valete que é muito impactante pra mim e reflete sobre isso.

“Não faças sons profundos porque as pessoas adormecem, lembra-te, os tugas* dançam melhor do que pensam. É por isso que as rádios só tocam sons de amor e festa. É por isso que existem mais discotecas que bibliotecas…”

*Tuga é uma gíria para Portuga ou Portugueses.

O entretenimento é um campo complicado de debate. Quando falamos de música e arte em geral, pensamos em pessoas querendo se distrair em um momentos de lazer e pra grande massa é desconfortável tocar em assuntos delicados nesses momentos. Mas quando tocaremos nesses assuntos?

Gêneros musicais como o Rap e o Punk, colocam o dedo na ferida, a maioria das vezes e debatem tipos de tema que incomodam a grande maioria, porém servem de debate para muitos.

O mercado vende esse conteúdo e não é um erro, temos que nos distrair, mas como é este conteúdo que enche as salas de cinema, existe um foco de mercado e isso começa na criação.

Nos ensinam a ter medo de mergulhar, saber boiar já é o suficiente. Se sentir seguro é mais importante que descobrir coisas novas.

Até que ponto do copo d’água você se conhece? Quantas vezes você jogou a água fora?
Beba um copo d’água e pense nisso.

Até!

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