Pare de Falar das Ideias e Fale Mais dos Problemas

Geralmente começa assim: ‘Cara, eu tenho uma ideia de um aplicativo.’ Ok. ‘Mas que problema você resolve?’, pergunto. É aí começa a gagueira… É muito comum que as pessoas sejam apaixonadas pelas suas ideias, sabendo todos os detalhes técnicos e sabendo responder a qualquer desafio para implementá-las… Mas quando você pergunta sobre o problema que a ideia resolve, seu entendimento é muitas vezes superficial, inclusive do público alvo. Isso acontece porque discutir o problema e gastar um tempo para melhor defini-lo nos mantém num desconforto, enquanto discutir as soluções nos dá uma sensação de alívio, de que estamos evoluindo.

“A vida é muito curta para criar coisas que ninguém quer”

Porém, um dos motivos de muitas startups morrerem é que elas resolvem o problema errado ou não resolvem um problema. Por isso, é preciso entendê-los profundamente juntamente com as pessoas afetadas em seu contexto, para endereçar as soluções mais eficazes para elas.

Tem solução, se você conhece bem o problema

A primeira vez que entendi melhor esses conceitos foi quando conheci a metodologia TRIZ (Teoria para Resolução de Problemas Inventivos). Essa metodologia foi inventada por um Russo que estudou mais de 40.000 patentes e identificou que certos problemas e soluções seguiam um determinado padrão. Ele acreditava que para qualquer problema, alguém, em algum lugar do mundo, já criou uma solução, basta para isso você conhecer bem seu problema.

Modelo básico do funcionamento da TRIZ

Com isso, ele desenvolveu o método à esquerda, em que após a análise do problema específico, vem a ação de ‘abstraí-lo’, a fim de entender qual é o seu problema na essência.

Por exemplo, uma operação cirúrgica possui alguns desafios: trabalhar em equipe com vários médicos apertados em volta de uma mesa cirúrgica e realizar operações complexas que precisam ser precisas e eficientes. Uma boa forma de melhorar essa operação seria ter em mente esses problemas e perguntar ‘que outra coisa em algum outro lugar resolve esses problemas?’. Você pode acabar chegando nos Pit-Stops da Fórmula 1 e retirar diversos insights de como ele ocorre, levando-os de volta para a operação cirúrgica. Ou seja, definir bem os problemas é muito relevante, pois com a abstração do problema podemos desbloquear a nossa mente para ir mais longe na busca de soluções mais viáveis que alguém, em algum lugar do mundo, já desenvolveu.

Similaridades que podem trazer ideias: Trabalho em equipe, precisão, rapidez e pouco espaço.

Outro exemplo bacana é do cortador de grama: Qual o problema ele resolve? Você pode dizer que é ‘ajudar as pessoas a cortarem a grama’, porém, se analisamos mais profundamente, o que o cliente pode querer é ‘a sua grama sempre baixa e bem-cortada o tempo inteiro’, pois é basicamente isso que ele quer alcançar após usar o cortador, não é? Essa linha de pensamento ajuda a desbloquear a mente para outras soluções, como uma possível semente geneticamente modificada que nunca precisa ser cortada. Ou seja, pode ser que um dia o cortador de grama seja extinguido, uma vez que podem nascer outras soluções para resolver o mesmo problema do público alvo.

‘Se me derem um hora para salvar o mundo, eu gastaria 59 minutos definindo o problema e um minuto resolvendo-o.” — Albert Einstein

Algumas perguntas que você precisa responder

Por isso, ao iniciar qualquer empreendimento ou ideia, é muito importante responder:

· Você resolve o problema/dor de quem? (público alvo)

· Qual ou quais problemas/dores sua ideia resolve? Como o problema ocorre? Como prejudica o público alvo?

· Como o público alvo resolve esse problema/dor atualmente?’

· Quem resolve ou resolveu esse problema/dor na sua essência?

Uma ferramenta muito bacana nessas horas é os ‘5 Por quês’. A ideia é perguntar ao público alvo 5 vezes ‘Por quê’ sucessivos. Isso geralmente faz com que as pessoas respondam na essência qual é a sua dor, o verdadeiro problema que muitas vezes pode estar escondido e te levar para a solução errada.

Na prática

A partir de uma simples pesquisa, essas perguntas podem ser respondidas e serão a base para pensar que ideias as resolvem. Para isso, se imagine um explorador e use sua curiosidade para entender bem os comportamentos e dores do seu cliente, observando e perguntando o máximo que puder.

From Zero to Hero — Template usado nos Startup Weekends, lê-se de cima para baixo.

Uma forma simples de organizar seu aprendizado é colocando-os em post-its divididos em quatro colunas como nesse passo-a-passo à esquerda do Zero-to-Hero: Problema Encontrado (brainstorm problema), Problema Validado (evidências de que existe de fato o problema/dor), Solução Encontrada (brainstorm da solução) e Solução Validada.

De maneira visual, você poderá linkar muito mais facilmente as informações, verificando se elas fazem sentido. Aprenda a se regular quanto aos achismos: Só vá para o problema e solução validadas se suas pesquisas trazem evidências disso (quantitativas e qualitativas).

Resumindo: Se apaixone pelos problemas

Não deixe o seu cérebro te vencer pelo alívio da solução imediata, se debruce nos problemas e nas pessoas, ouça-as. No final, garanto que o esforço vai valer a pena.

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