O encontro com o Gajo

Lucas Aron Nogas
Nov 3 · 5 min read

Recentemente realizei uma viagem percorrendo grande parte da Europa, foram 22 cidades e 14 países em 22 dias. Dentre essas cidades, tive uma breve estadia em Turim, na Itália.

Vim até a cidade não para visitar igrejas, comer seus famosos chocolates, ir a castelos, museus ou qualquer coisa que a Europa é cheia. Sendo bem sincero: vim por causa de um jogo, mas não qualquer jogo. Na quarta-feira (30/10), eu assistiria a Juve de Cristiano Ronaldo.

Fazendo um retrospecto rápido antes de começar o falatório: em 2014, durante a Copa do Mundo, tive a oportunidade de ver Lionel Messi, um gênio com a bola nos pés. Mas ver todo mundo já o viu, eu tive a oportunidade de ser agraciado com sua mágica ao vivo, jogando como o melhor do mundo que ele é. Resultado: Argentina 3x2 Nigéria, com direito a dois gols do Argentino.

Nesse ano de 2019, há alguns meses, conversava com um amigo meu (o excelente Guilherme Moreno — famigerado Manja) sobre como seria viagem e comentei sobre a minha vontade de assistir um jogo no velho continente. E ele me disse: você vai assistir um dos três melhores do mundo jogar (Neymar, Messi ou CR7).

E assim foi, tempos depois dessa conversa embarquei para a minha epopeia de quase um mês e fiquei com aquilo que ele me disse na cabeça. Afinal, eu já havia assistido o Messi, por que não fazer um esforço e ir em busca do gajo?

E aí fomos, eu e o meu pai, para a viagem maluca — em breve quero postar um texto sobre ela. Em todos os países que fomos, não haviam jogos para serem assistidos. Quando estivemos em Amsterdam, o Ajax estava no interior. Quando fomos para Londres, o Spurs já havia jogado. Alemanha? França? O mesmo. Parecia que o destino queria que o meu único contato com futebol na Europa fosse o encontro com o Português.

Após as tentativas frustradas já mencionadas, chegamos na Itália. Terra do Calcio, terra da Série A, um dos campeonatos mais tradicionais do mundo. Por incrível que pareça, é dificílimo conseguir um ingresso para um jogo de la, ou você o compra on-line (complicado), ou vai a uma Tabacaria (foi o que eu fiz).

Após muita espera e dificuldade, consegui o tão sonhado ingresso. Finalmente, na noite do dia 30, lá estava eu no Juventus Stadium, palco de inúmeras conquistas da Vecchia Signora. Lá eu assistiria uma poderosa Juventus contra um aparentemente frágil Genoa.

Um jogo que parecia simples de início — a Juve brigava pela liderança e o time do litoral da Itália brigava para não entrar na zona de rebaixamento — demonstrou-se um belo de um caroço para os Juventinos.

Os Rossoblu deram trabalho para Cristiano Ronaldo, Dybala, Buffon, Douglas Costa e cia. A partida estava desenhada para um empate. No primeiro tempo o time alvinegro jogava todas as suas fichas na habilidade de Dybala e na velocidade de Cuadrado. Até que o Argentino, em um escanteio, acerta um cruzamento preciso na cabeça do Capitão Bunnuci, tirando o zero do placar no meio da primeira etapa.

A torcida da casa cantava, cantava e cantava, até agora consigo ouvir o “noi non ti lasceremo mai”. Felicidade que durou pouco. Alguns minutos depois, aos 40’ — se não me engano, Kouame empatava para os visitantes.

A Juventus tentava e o Genoa nada deixava. Nem a expulsão do meio-campista Cassata adiantou. Maurizio Sarri, técnico da Juventus, resolve mudar, coloca Douglas Costa, Rabiot e Ramsey na partida. Pensei: agora vai. Mas não, nada aconteceu.

E como se o jogo já não estivesse complicado o suficiente. Uma PUTA chuva começou a cair no estádio. Mas não desisti, não larguei meu lugarzinho à beira do campo, não queria perder um lance do jogo.

Os minutos passavam, e a Juve continuava inoperante em seus ataques, focando só na velocidade de Cuadrado, nas bolas aéreas para Cristiano e em uma ou outra jogada de efeito de Dybala. Eu estava desacreditado. Todos esses kms percorridos, toda uma expectativa criada e eu não veria nada do 5 vezes melhor do mundo? Até que, aos 90, a estrela de Cristiano Ronaldo, como sempre, brilhou. O português marca o gol da vitória, com um belo chute de fora da área.

O estádio foi a loucura!! Crianças pulam, torcedores acendem os “cigarros da vitória” e eu grito igual a um maluco. A felicidade dura segundos. O gol foi anulado.

Pensei: puta merda, eu sou um azarão.

E lá estava eu, remoendo o ódio pelo bandeirinha, até que Cristiano Ronaldo — que cresceu muito nos minutos finais — dribla dois dentro da área e é derrubado. CR7 pega a bola e vai para a marca do pênalti. Naquele momento eu já sabia: gol.

Ronaldo não decepcionou: caixa. A imagem do português correndo para a bandeirinha de escanteio comemorando foi linda. Espero nunca esquecê-la. Para me ajudar, gravei hahahah.

Finalmente, ao final da noite, me senti realizado. Tive a oportunidade de ver de perto os dois maiores da minha geração. Algo que vou poder contar pra sempre para filhos, netos, bisnetos e aí vai.

Com o fim desse episódio, tive a conclusão de algo que eu buscava faz tempos. Quem é melhor? Quem faz mais diferença? O argentino ou o português? Bom, os dois são excelentes, sou fã das características dos dois. Ver o Messi é como ir a um show de mágica, a qualquer momento ele pode te surpreender. E CR7 você pode confiar que ele vai contribuir com o time, mesmo em uma noite apagada.

Conclusão: prefiro o Messi. Mas né, gosto é gosto.

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