Fiz o ENEM…
Estou começando a escrever esse texto na madrugada do dia 5 de novembro de 2019. São 00:41 e eu estou extremamente cansado, mas triste demais para dormir. Aqui vou falar um pouco do que se passou comigo nos últimos dois dias (3 e 4 de novembro) e, inevitavelmente, do que eu senti a cada parte.
Eu nunca entendi o por que uma prova vai fazer tanta diferença na minha vida até enfiar na minha cabeça que essa prova é a coisa mais importante dá minha vida. Eu nem quero alguma coisa com ela. Mas mesmo assim me dediquei 3 anos estudando num colégio integral e com pré vestibular incluso na minha grade curricular (ou seja, eu tô engolindo Enem fazem 3 anos) e tive resultados EXCELENTES nos 3 anos (pelo menos nos últimos dois). É uma loucura que passa na minha cabeça que fica até difícil escrever aqui, mas vou tentar.
Eu quero filosofia, ou pelo menos eu aceito que quero. Eu sempre quis ser inteligente, desde criança. Queria que as pessoas olhassem pra mim e conseguissem me admirar. Talvez isso tenha vindo dá minha criação, tanto minha família paterna quanto materna tem uma autoestima elevada (eu, minha irmã e meu tio até brincamos chamando de “Autoestima da Família Cobra”) e uma vontade muito grande de receber elogios e congratulações. Ser congratulado é uma coisa que realmente me cativa, gosto quando as pessoas reconhecem meus feitos. Nesse caminho eu sempre procurei, na minha vida, coisas que fossem chamar a atenção pra mim (Já fiz teatro duas vezes, já dei palestra, apresentei seminário em congresso) mas SEMPRE continuava com um vazio de querer mais, eu sempre estava querendo chamar mais atenção. Mas quando digo atenção, não é aquele tipo de interromper professor pra me auto afirmar, mas sim alguma forma das pessoas me olharem e pensarem “Poxa, ele é inteligente”. PORÉM, toda vez que alguém chega e me fala “Poxa, você é inteligente" tudo que meu cérebro reconhece é algo próximo de “Tá vendo aquela pessoa ali na sua direita ? Então, ela fez melhor que você então você não fez nada demais. É mais do mesmo…” e isso tudo me coloca num ciclo de querer fazer mais coisas e, quando eu faço e tenho os reconhecimentos, não aceito que eu fiz alguma coisa de relevante.
Tá bom, meu amor. Mas como isso tudo se relaciona com filosofia ? Vou dizer pra vocês: NADA. Eu tô só devaneiando, mas como eu tenho que aprender a transformar devaneios em algo retilíneo pra faculdade, vou tentar. Vamos lá:
Filósofos me encantam, não a filosofia em sí. Posso passar horas citando pessoas que escreveram teorias que eu amo, mas tô com preguiça. E quando eu vejo meu professor de filosofia falando sobre eles, vejo como tem admiração. Na história você estuda fatos, na matemática fórmulas, na física e na química conceitos, na biologia todo aquele emaranhado de matéria, mas na filosofia se estuda pessoas. PESSOAS. Você não reduz toda uma base de estudos em uma simples matéria, mantém a pessoa, a essência de quem fez. Além do mais, como saber o que um filósofo fala sem saber quem ele é ? (Claramente o fato do Foucault ser gay e escrever a história dá sexualidade)… Eu quero ter esse reconhecimento, talvez seja por isso filosofia, talvez por isso que minha autoestima e vontade de afirmação sobre eu mesmo grita com filosofia: o EU vai estar lá. E é isso que eu quero.
Mas como o Enem consegue retira toda essa autoestima que eu fui criado pra ter ? Não existe uma resposta certa, então vamos de devaneio.
O exame nacional do ensino médio é cruel. De verdade. Eu me sinto uma máquina pra fazer isso. Tudo bem querer testar o que eu aprendi no ensino médio, mas INEP você acha mesmo que eu só aprendi V=R.I ? Eu tenho um artigo científico com 18 anos e você IGNORA isso. Eu fiz trocentos projetos extracurriculares e você IGNORA isso. Eu me sinto como uma máquina. Não importa o quanto eu faço de bom, o quanto eu chegue no meu objetivo ou quando eu queira mais ser inteligente, não adianta de nada já que vou ter que sentar numa sala quente de 37°C pra fazer uma prova durante 5horas e meia que não mede nada meu. Eu sei muito de filosofia e errei a maioria das questões de filosofia do Enem. Isso me chateia muito.
Eu sou extremamente pobre, paguei minha escola durante um ano e nos outros dois eu estou endividado até fazer bico, vou ter que sair de lá e já arrumar um emprego pra pagar todas as mensalidades (caras) de dois anos atrasadas. E com isso tudo, eu só tenho uma oportunidade de passar no Enem, já conversei com meus pais e é minha única chance. Mas mesmo assim eu vou mal. Volto a aquele ponto: do que adianta eu ter ido bem os 3 anos do ensino médio se cheguei na prova principal e me dei mal. No meio do caminho eu fui acumulando sonhos. Quero ter uma teoria criada por mim. Quero abrir uma ONG sobre ensino dá filosofia. Quero fazer um intercâmbio acadêmico. Mas nada disso talvez seja possível por que eu fui mal dois dias atrás na prova. Me sinto impotente demais, demais mesmo.
Minhas aulas de humanas e linguagens essa semana foram canceladas então nessa segunda eu não tive aula de manhã e só uma hora e meia de aula a tarde. E nesse meio tempo eu comecei a pesquisar empregos que eu posso ter sem experiência, com um diploma do ensino médio e que não precise de faculdade (As vezes a prostituição passa na minha cabeça mas eu sempre acho que não tá na hora ainda). Ainda nesse meio tempo eu fiquei várias vezes com vontade de faltar o segundo dia do Enem, não ir fazer. Eu me senti tão mal com uma prova que eu não quero voltar lá, e olha que eu sei que meu sonho tá lá. Foi horrível. Foi péssimo. Posso ficar horas a fio contando. Mas vou parar por aqui.
Obrigado, eu.
05/11/2019 - 01:31am
Você é o único representante do seu sonho na face dá terra.
