Chega de saudade, São José…

A noite de sábado, 13 de Maio, marcou a volta do São José para o Monumental Martins Pereira em jogos oficiais. A última peleja ali aconteceu em 27 de Março de 2016, quando a gente derrotou o Guará uma semana antes da queda para a segunda divisão.

A medida em que o tempo passa vou criando convicções no que diz respeito ao time da minha cidade. A maior delas é a de que crer nessas cores é, sobretudo, um exercício de resistência e amor.

O São José fez campanha para a torcida voltar ao estádio. Eu mesmo fiz um post no facebook para anunciar aos desavisados. Fato é que mais de mil pessoas foram ao estádio para ver a Águia do Vale, que até então somava três vitórias e um empate na “bêzinha”. Não lembro de bom público assim desde a reforma do estádio. Não para o futebol masculino do São José.

Acho um barato dia de jogo. Eu viro a esquina da minha casa e enxergo o clarão no céu dos refletores. Já arrepio ali. Sábado assim que cheguei no portão meus olhos ficaram marejados. Estava com uma puta saudade. E parecia que a galera tinha comprado a ideia. Parecia que tinham abraçado de novo o São José. Saldo as velhas e boas caras da arquibancada. Vou na TUSJ e falo com o Jeferson. Volto pro meu lugar, encontro o Paulão: Ah, sabia que você vinha! hehe. 
E ainda dá tempo pro Guilherme e pro João aparecer. Sim, eu sempre tento levar a galera pra arquibancada.

Andresa me manda algumas mensagens de onde está e também avisa que está com a Dani. A gente acorda de eu passar por lá na hora do intervalo. 
O primeiro tempo acabou com o São José sendo derrotado por 1x0.

Que figura!

Antes do jogo o Iamin tinha me mandando um tuíte dizendo que estaria por lá naquela noite. Queria encontrá-lo. E enquanto rumava ao encontro das meninas, no meio do caminho, ele me chamou. Conversamos pra caramba sobre o São José. Eu admiro pra cacete o Iamin. E queria ver o jogo com ele. Como queria ver com a Dani, com a Andresa, com o Jeferson e com a TUSJ. Mas acho que acostumei a ver os jogos sozinho, ser ativo e passional na arquibancada e dessa forma, me expresso melhor. Depois de encontrar a Andresa e a Dani eu voltei pro meu lugar. Antes da bola rolar para a etapa complementar, a namorada do Guilherme me ofereceu um pouco de amendoim. Fiz “copinho” na camisa e coloquei no meu colo. O jogo começou e eu levantei. Um senhor passou e tocou no meu ombro: você deixou seu amendoim cair! Catei um por um e pus no bolso. O amendoim torrado deveria ser sinônimo de roer unhas.

Bem, o jogo… Tomamos 2x0 e fiquei ainda mais nervoso. Comecei a me mover na arquibancada e a atacar o bandeira a esmo. Quando me dei por derrotado, sentei na mureta do fosso. Dali pude ver algo voando no campo. Virei para trás e reclamei:

PORRA! Não joga nada no campo não, caralho! Vai foder nosso time!

O azar de quem atirou é que nem todos são como eu. A organizada já foi logo partir para a conversa mais rude. Um fuzuê no meio da arquibancada fez muita gente perder o gol do São José. 2x1. Havia esperança.

Em muitas das minhas idas ao Martins Pereira o São José passou sufoco e foi empurrando na raça o adversário. É engraçado que todas que consigo me lembrar foram no gol do placar e eu estava lá, entre o fosso e a arquibancada esbravejando contra as investidas sem sucesso da Águia. Sábado não foi diferente. Só sosseguei quando num contra ataque tomamos o terceiro.

Teve tempo para mais uma confusão na arquibancada. Ao apito final me despedi do João e do Guilherme. Fui até o Leandro para conversar mais um pouco e definir como eu daria a ele a pequena lembrança da águia que prometi dia desses.

Sai do estádio com a TUSJ. Ia comprar umas coisas com eles. Uns chaveiros e adesivos. A TUSJ tem uma galera legal.

Acho que vai demorar pra gente ter bom público de novo. Nem todo mundo exercita a resistência e a paixão chamada São José. E quando arriscam, dão de cara com nervos aflorados numa arquibancada de última divisão.

Mas tem uma razão pra eu falar mais do que aconteceu do que do jogo. O São José nunca me prometeu dias gloriosos. E o sonho de que um dia estaremos de volta a serie A1, pra mim, é como um cachorro correndo atrás do carro. Não saberei o que fazer quando acontecer. Mas de qualquer modo, isso tudo que rodeia a partida e o São José, me puxam sempre pra Rua Ana Gonçalves da Cunha, numero 340. É mais que o jogo… Estamos juntos, Águia!

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