Você é a sua marca!

Atualmente, grande parte dos cidadãos busca ter cada vez outras alternativas de renda, seja como forma de conseguir a liberdade financeira e ou de apenas aproveitar uma oportunidade momentânea de “levantar uma grana” para conquistar algo. Empreender é o termo da moda, e cada vez mais crescem as pessoas que querem viver dos seus próprios sonhos e levar uma vida fora dos “padrões normais” de trabalho: preso num escritório entre provavelmente 8h e 18h. Mas não pense que ser freelancer te dará a liberdade de trabalhar menos ou em outros horários. Então, prepare-se para trabalhar provavelmente muito mais horas do que estamos acostumado. Encare essa realidade, ou volte ao padrão.

Este texto foi escrito a partir de um convite para a primeira edição da Revista do Design Culture, onde eu deveria falar sobre a vida de freelancer. Porém preferi abordar esse tema de outra forma, falando sobre como ser um profissional com marca própria. Não utilizando o termo “freelancer” porque me remete a um profissional que fará o trabalho (quebrará um galho) e depois sairá de cena. Isso ficará subentendido ao longo do texto, mas eu volto a explicar sobre porque não quero usar o termo “freelancer”. E mesmo que você seja “freelancer” nas horas vagas apenas, você deve lutar para que, em determinado momento da sua vida profissional, colocar a sua marca antes de tudo seja o seu objetivo principal, pois só assim o seu investimento (em tempo, em estudo, em computadores, em câmeras, em networking, no estudo e compartilhamento do assunto que você domina, etc.) se justificará.

É claro que é importante a organização financeira, a organização de horários, a importância de um bom portfólio, as redes sociais atualizadas, o cartão de visitas, a disciplina, etc. Mas neste texto vamos falar sobre como alavancar a sua marca pessoal, pra que você seja percebido como o UNICO E MAIS PRÓXIMO especialista no que faz, a ponto de as pessoas o procurarem para contratar o seu serviço, e não que você tenha que ficar correndo atrás de clientes. Talvez esse texto possa soar difícil e denso, mas quem quer trabalhar a marca própria precisa pensar muito mais em relacionamento e conhecimento do que quando cobrar pelo job tal e quais os atalhos do photoshop para ternar o trabalho mais rápido.

Seja por uma necessidade ou por uma oportunidade, criar o seu próprio caminho, explorar a sua marca e colocar suas habilidades profissionais a serviço da sociedade é, antes de tudo, a vontade de tentar fazer diferente, de mostrar que o profissional liberal, o freelancer, e que depois se tornará empreendedor, tem algo mais a oferecer.

Hoje, com o mundo aos nossos pés e onde em poucos cliques podemos estar em contato com qualquer outra pessoa no mundo, não faz mais sentido separar as atividades profissionais das pessoais. A vida dos profissionais do design, do marketing, da comunicação (e até outras atividades que independem disso) e de todas as outras tantas atividades cuja criatividade, o planejamento, as muitas informações a serem absorvidas diz que não se faz mais necessário estar no escritório para trabalhar. Quantas vezes estamos cozinhando, por exemplo e ideia para aquele projeto vem. E quantas vezes estamos cedinho na nossa mesa do trabalho e a ideia não vem!? Só isto já é motivo suficiente para saber que nem todas as pessoas se adaptam a essa rotina que consome muito mais horas do que aquela que está em contrato, não é mesmo?

Desde que comecei a melhor formar esse conceito na minha cabeça, e a deixar de dizer que sou “freelancer”, percebi (meio que subjetivamente) que as pessoas que me convidavam para um determinado projeto me tratavam como um Designer! Sim, apenas designer — sem o freelancer (como se estivessem dizendo dentista, arquiteto, motorista, guarda de trânsito, etc), entendem? E isto se dá por causa da sua postura profissional, seja compartilhando seus conhecimentos nas redes socais ou explicando algo em conversas com amigos. Aqui entra a importância do “fazer um trabalho de graça”, que falarei lá nas dicas e também me lembra um episódio que uma vez em algum lugar que não lembrarei.

Este episódio fala que quando iniciamos nossa vida profissional, ao entrarmos em uma empresa, respondemos por ela. Com o tempo nessa empresa, participando ativamente dos projetos e a partir do contato com os fornecedores, com os clientes e com os parceiros dessa empresa, você passa a ser conhecido como o “FULANO da empresa tal”. Perceba que você já é conhecido por ser representativo na empresa tal, caso contrario você seria apenas “o jardineiro da empresa” (ou a “moça da criação”). Sendo chamado já pelo nome (e se tiver o sobrenome junto é melhor ainda), comece a explorar e apresentar-se sempre com seu nome cada vez que encontrar pessoalmente essas pessoas. Aos poucos, comece a dizer o seu nome completo, sua profissão, os projetos em que você se envolve (usando a marca própria) e depois a empresa em que trabalha (se trabalha). Algo como: Sou Junior Santos, repórter. Tenho os projetos de texto com o sorveteiro Santos traduzindo em palavras o sabor dos seus sorvetes. Também trabalho com a fotógrafa Juliana, onde dou voz às imagens dela. E atualmente também sou contratado da Folha de São Paulo. E estou sempre disponível para outros projetos interessantes.

Perceba que nesta sua nova forma de apresentar-se você está se afirmando enquanto pessoa e marca e também engrandeceu outros dois profissionais que trabalham com sua marca própria. E para fechar, uma grande marca o contrata por que confia em você e no seu trabalho. Perceba que o “atualmente” deixa subentendido que você sempre almeja novos desafios. E se eles forem “interessantes”, melhor ainda, já deixando subentendido: não me chame para o seu projeto que não seja legal. Não confunda não ser legal com pequeno ou que pague pouco. Nem sempre o dinheiro é o melhor pagamento, e às vezes um projeto pequeno cresce tanto a ponto de virar um case de sucesso.

E eis que eu volto um pouco no texto para explicar porque deixai de falar que não quero ser um designer freelancer e sim um (tão e somente) Designer — Cabeleireiro, Decorador, Arquiteto, Fotógrafo, Jardineiro, Técnico em edificação, Impressor, Vendedor, Ciclista anjo, Doceiro, etc. Porque a de cada um de nós carreira começa no momento em que buscamos o primeiro estágio, uma oportunidade ou nos oferecemos para fazer um trabalho para um amigo, tio, professor, etc. Devemos começar a construir nossa imagem na cabeça das pessoas através não do que sabemos fazer profissionalmente, mas sim sobre como somos, como vemos a vida, como podemos ajudar as pessoas. E na busca pelo estágios ou empregos, indiretamente agimos assim também, fazendo uma promessa de como podemos ser úteis naquele local, certo?

Pensando nisso, comecei a refletir sobre por que já não investimos na nossa marca visual antes mesmo de sair da faculdade (ou de qualquer curso que dê parte da habilidade necessária para exercer a profissão)?

Imagine chegar para uma entrevista de estágio ou emprego já com o seu cartão de visitas e entregá-lo ao contrante naquele momento do: muito obrigado, faremos a seleção e qualquer coisa entramos em contato. Certamente isso já seria um ponto positivo, demonstrando pró-atividade e também que somos a nossa profissão independente de trabalhar em uma empresa ou não. Tudo bem você pensar que isto pode soar mal, e que o entrevistador vai pensar que, pelo fato de você já ter um cartão de visitas e se apresentar não como alguém que procura um emprego, mas como um novo profissional do mercado, não se “sujeitará” as regras da empresa e etc. Nada disso! Ninguém nasceu preso e nem com a obrigação de trabalhar para um empresário. Todos somos sim uma marca, e exploramos ela da maneira que acharmos melhor, trabalhando COM pessoas e não PARA pessoas.

Isso também mudará a sua visão de marcado, e você começará a tratar diferente os seus “jobs”, que chamaremos de projetos a partir de agora. Jobs passam, projetos vem e voltam. Jobs te dão um pagamento em dinheiro e só. Projetos permitem que você esteja sempre em contato e trabalhando com diferentes profissionais, onde cada um tem seus outros projetos e que por um acaso, você pode ser convidado. Jobs aparecem, dão trabalho e vão embora. Projetos aparecem, nos envolvemos neles e, de acordo com o tamanho que ele tomar, cresceremos junto e estaremos com nossa visibilidade sempre garantida, para clientes que entrem em contato com aquele projeto, para outras pessoas envolvidas (o que vai gerar, no mínimo, novos contatos), para a sua rede social (já que você estará divulgando e marcando todos os envolvidos no Facebook), etc.

Perceba que nada que eu falei acima teve a ver com forças universais ou que “é dificil se divulgar e conseguir oportunidades”. Veja que tudo que escrevi até agora tem a ver com pró-atividade, com segurança, com força de vontade e com “faça você mesmo”.

O Emicida, um dos meu empreendedores (cantor, designer, empresário) preferidos diz em uma música que: “Irmão, você não percebeu que você é o único representante do seu sonho na face da terra? Se isso não fizer você correr, chapa, eu não sei o que vai.” E se você não percebeu, o Emicida é um cara que circula por vários círculos musicais, convidando artistas que o inspiraram, misturando seu som com artistas de outros gêneros, descobrindo e ajudando novos cantores (ajudar quem está entrando na área também é importante, pois provavelmente eles pagarão pra vê-lo caso você vire um palestrante ou professor daqui um tempo) dá palpite (e desenha) estampas das sua marca de roupas, etc. Ele se envolve nos projetos e faz com que sua marca esteja ligada à vários pontos de contato. Hoje, sua música é vestida, ouvida e sentida. Porque não podemos também trabalhar dessa forma, deixando nosso legado por onde passarmos?

Pra que isso aconteça, precisamos estar sempre sendo vistos. E para ajudar vocês a organizarem-se melhor, deixo algumas coisas que estou aprendendo observando a vida de quem quer trabalhar com a marca própria.

Esteja disponível e mostre isso. Uma vez li uma frase que mexeu comigo: “Se o Obama tem tempo e sempre o vemos em diversos lugares, você é obrigado a ter tempo também.”. A única verdade universal do mundo é a de que todos nascemos com 24 horas, e saber o que fazer com elas é primordial para nos organizarmos. Acorde cedo, faça um esporte (isso te dará energia e bom humor para enfrentar o dia) e você se sentirá mais produtivo. Acordando cedo o dia ficará maior (obviamente), e você terá tempo de fazer tudo o que quer.

Dê uma prova do seu trabalho, grátis! Já aconteceu muito comigo de alguém chegar com um projeto incrível para eu me envolver, mas dizer que o orçamento estava bem curto. Eu busco saber mais sobre o projeto, faço questão de participar e sim, digo que o dinheiro a gente pode ver depois. Quando as pessoas são gratas ao que você fez por elas, o pagamento virá com certeza.

Se você tem um objetivo, trabalhe nele todos os dias até completá-lo! Não importa o tempo, você deve fazer de tudo para atingí-lo, um pouquinho todos os dias. É uma marca de roupa e precisa fazer o plano de negócios? Trabalhe nele pelo menos de 30 a 60 minutos por dia. Sim! Almoce mais rápido e dedique um tempo legal para construir seu castelo. Você poderá contar para as pessoas sobre essa construção e já ir criando um público, despertando a curiosidade para quando ficar pronto.

Escolha se vai ser especialista ou generalista. Eu prefiro ser especialista, trabalhando, falando e escrevendo sobre design de marcas onde eu tiver oportunidade (seja em casa ou nos grupos de Facebook). Claro que faço outros trabalhos, mas quando optei buscar esse foco, voltei no tempo e percebi que quando criança eu gostava de desenhar marcas de roupa, de carro, de time, etc. Com o tempo, esse discurso vai ser afirmar na cabeça das pessoas e quando elas precisarem desse trabalho, misteriosamente elas lembrarão de você.

Esteja sempre atento. Sim, você deve estar sempre ligado no que está acontecendo com os seus amigos e até com os amigos dos deles. Nunca se sabe quando alguém precisará de um profissional com as nossas habilidades e não sabe, né? Então, converse, pergunte sobre os planos profissionais e diga que pode ajudar caso precise. As oportunidades só aparecem pra quem as cria.

Leituras. São dois os livros que vem mudando a minha vida nos últimos tempos. Um deles é o “Segunda-feira nunca mais, do Dan Miller”. Basicamente ele ensina como encontrar o trabalho da sua vida, não sofrer aquela depressão do domingo à noite e ficar ansioso pela segunda-feira para trabalhar no seu projeto maior. O segundo (e o terceiro) são os dois livros de Arthur Bender, chamados de “Personal Branding” e “Paixão e Significado da Marca”. Eles ensinam como construir sua imagem na cabeça das pessoas e também como trabalhar com um propósito, criando um valor para si e sua profissão, e não trabalhar apenas pelo dinheiro.

Foi um prazer. E espero que todos possamos colocar no mundo a nossa marca e nossos conhecimentos profissionais a partir das nossas habilidades, valorizando nossa marca pessoal e ajudando as pessoas, acima de tudo.

Imagem: https://www.enterprisealive.ie/connect-with-us/tips-for-growing-your-personal-brand/

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