Fragmentos de amor, dói mais que amar.

Há pedaços de você aqui dentro, cacos que machucam meu peito. Angustia que me acompanha, e no momento, não posso gritar teu nome. Tento manter em segredo, te eternizo em minhas escritas e todos percebem o quanto você é real. O problema de haver milhares de pedaços teus aqui dentro, é não poder desfazer tudo o que sinto por ti de uma só vez. Levarei anos, e talvez ainda me reste alguns cacos esquecidos no chão. Inclusive, meus pulmões guardam teu cheiro. Me afoguei em você, tua correnteza me arrastou e manteve meu corpo ali, de canto. Enquanto você se iludia com salva-vidas, eu morria aos poucos. Fiquei quieto, meu silêncio acariciava teu rosto todos os dias. Te vi sofrer por quem não merecia, te vi chorar por quem não te amava, permanecer ao teu lado tornou-se eterna tortura. Passaram-se cem anos, olhei em meu relógio e somente um segundo havia passado. Meus minutos se tornaram lentos, meu relógio implicava comigo quando percebia que eu te esperava. Esperei mesmo assim. Perceberam que quase sempre há alguém conversando em uma fila de espera? Talvez de tanto esperar, me tornei esse alguém e desabafei sobre nós em ouvidos alheios. Enquanto isso você mudava, ou fingia ter mudado. É, você não mudou mas de início pensei que sim. Digamos que se envolver com alguém é permitir que segurem uma arma em nossa cabeça, e com sorte, ela estará descarregada. Como de costume, eu nunca tive sorte, mas pensei ter sido sortudo por ter beijado seus lábios. Não fui, porque esses lábios beijam lábios que não são meus. Permaneci ao teu lado, permanecemos juntos, mas você queria permanecer com alguém que não queria permanecer com você. Então permaneci sem sorte. Me encontrei em um mundo cinza, com pessoas conversando em câmera lenta, os batimentos do meu coração ecoando e do outro lado da praça percebiam minha frustração. Você não percebeu, entretida demais com outro alguém. Transbordei durante dias, e minhas madrugadas eram eternas. Esfriei meu peito. Explodir em mil pedaços, e teus laços ainda me seguravam. Fui teu porto, mas você quis se afogar em outro alguém. Então permaneci poço, e seu moço, diga a ela que nunca esteve tão vazio aqui. E com tua ausência eu me corto, não sangro mais. E com tua ausência eu me enforco, não respiro mais. E com tua ausência eu me importo, fragmentos pontiagudos machucam muito mais.

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