A incoerência da Pós-Modernidade

Nossas roupas da renner estão sujas de sangue pelos 37 escravos costureiros que foram encontrados mantidos em cativeiro em São Paulo.

Nosso iphone está molhado com as lágrimas dos asiáticos que se suicidam após longas horas de trabalho absurdamente desumano. Eles assinam contratos chamados de não-suicídio caso desejarem se matar após trabalhar loucamente para produzir tudo que queremos consumir.

Nosso café da manhã carrega a humilhação dos trabalhadores em condição análoga a escravidão em Iporã, interior do Paraná — Sadia, Perdigão, Batavo e Elegê, a Brasil Foods (BRF), foram condenadas a pagar 1 milhão de indenização por isso.

Nossas bocas destilam chocolates feitos por crianças escravas na África Ocidental.

Falamos sobre valorizar a humanidade, mas não estamos nem aí com o tráfico humano, prostituição e sexualização infantil das nossas crianças. Com uma mão postamos uma foto sorrindo, com a outra vomitamos nossas mazelas e sentimento de discórdia, orgulho e insatisfação.

Falamos sobre amar o próximo, e deixamos o "vamos marcar" acumular agendas importantes que fazem amigos perderem suas vidas na solidão e tentativa de entrar na bolha que eles nunca conseguirão fazer parte.

Não crie uma bolha. Não faça parte de uma bolha. Quebre as caixas. Suba as escadas. Mate os noticiários. Invada as realidades, abrace os moribundos. Ame os mendigos. Quebre os padrões. Destrua a moda. Renove sua mente. Estabeleça Justiça, Amor e Verdade. Porque existe incoerência em nossa pós-modernidade.