A grama do vizinho sempre é a mais verde!

Dias atrás cliquei em um daqueles links que te prometem 20 fotos sobre alguma coisa que vai te surpreender. Confesso ter um vicio por eles, mesmo já conhecendo a história por trás da maioria das imagens.

Essa página em especial eram de fotografias em alta resolução de tribos que ainda mantinham isoladas da “civilização”. As fotos eram realmente lindas e valiam até a pena desconsiderar que muitas tribos fotografadas não eram realmente uma “tribo” ou muito menos estavam isoladas do mundo.

Mas uma coisa me chamou atenção, o texto antes de apresentar as fotos terminava dizendo que quem teria coragem de largar a vida normal que vivemos para ser “livre” como esses nativos.

Ah, de novo não…

Sabe quando você era criança e não queria comer e sua mãe falava para dar valor a comida porque tinha gente passando fome? Exageros e falsas correlações à parte a mensagem que ela queria te passar era para você não ser ingrato com o que você tem. O problema que muita gente não aprendeu a lição com a mãe e persiste em ser ingrato com a sua vida.

Então por que as pessoas são tão ingratas no mundo atual?

Odeiam as indústrias, aquelas coisas cinzas e horrorosas que estão matando a terra mãe. O concreto, as grandes cidades, a tecnologia que nos cerca são grilhões que escravizam nossas vidas.

Livre é o índio nativo, o verdadeiro amigo da natureza!

Um processo de desconstrução da vida moderna precisa ser feito com urgência para os idealizadores do naturalismo. Vamos fazer aquilo que sempre sonhamos, ser livres!

Oras, será que idealizador percebeu que tais nativos são em geral sociedades altamente patriarcais, segregadoras com castas bem definidas e um poder central sem qualquer controle de abuso? E a tão sonhada qualidade de vida pregada míngua em uma expectativa de vida semelhantes a idade do cobre? Nem preciso de dizer da tal ausência saneamento básico ou higienização alimentícia que garantem taxas de mortalidade nas alturas.

No final da ópera bufa é um gemido fraco que não conclui a eloquência das ideias.

Resta ao idealizador pegar seu smartphone e dar share em alguma postagem descolada do Greenpeace, mas precisa ser rápido antes que o entregador do fast-food saia do elevador e toque a campainha do 15° andar do prédio no centro da metrópole que o idealizador vive.

Afinal, a grama do nativ.. ops vizinho sempre é amais verde e uma dia estaremos livres da vida moderna.