Educação e Economia

E aí, galera, tudo bom?

Depois de um tempo parado por motivos de falta de tempo, volto a escrever por aqui. Depois da previsão furada (sim, eu falei que o Temer ia ficar sem se posicionar muito até um momento mais estratégico) do meu último artigo, vamos mudar um pouco o assunto a ser debatido.

Hoje o papo aqui é sobre o poder da educação no fortalecimento da economia de um país. Contextualizando brevemente, sempre fiquei muito inquieto com conversas de eleição em que candidatos disparam ao léu que a educação é a chave para mudar o país e aí resolvi me debruçar um pouco mais sobre o tema, estudando o que isso quer dizer.

Vamos começar do básico: o conceito educacional

Vou utilizar uma faceta — falo em faceta porque não é, definitivamente, a única, mas uma das inúmeras funções — da educação que a trata enquanto processo de formar pessoas minimamente preparadas para socializar nos contextos mais diversos. “A educação é o processo de respiração da cultura de um país.” Foi o que tive a oportunidade de ouvir do Senador Cristovam Buarque em uma roda de perguntas e respostas com o senador no Encontro Nacional de Empresas Juniores 2015 e que fez, pra mim, total sentido, analisando em um nível mais abstrato. Exemplificando, você aprende português no colégio porque a língua portuguesa é um elemento da cultura brasileira e você precisa saber que a palavra “Lápis” é a forma de falar do objeto lápis em qualquer canto do país. Você sai da escola sabendo que dois mais dois dá quatro porque você vai, um dia, a um restaurante com seus amigos e vai ter que se ligar que dois mais dois é igual a quatro. A escola tem que te dar o mínimo possível de insumos para que você consiga socializar na grande maioria das regiões do nosso Brasilzão.

Além disso, a escola (utilizarei o termo escola para todo ambiente educacional em geral) é um ambiente de pura participação social. Grupos de amigos são formados e desmontados o tempo todo dentro das salas de aula e o que se vê é uma teia pulsante de fortalecimento das relações sociais. Trazendo pra um dia a dia mais prático, grande parte das relações de amizade e namoro são forjadas nos ambientes educacionais, seja nos colégios ou na universidade, e são essas as relações que mais duram, na maioria das vezes, para a vida da pessoa.

Ou seja, a educação entra aí como geradora de Capital Social.

Vamos olhar agora para esse tal de Capital Social

Quando olhamos para ambientes sistêmicos e que muitas variáveis se relacionam, devemos mudar um pouco a abordagem de como olhar para o problema. A economia, por exemplo, é uma teia de fatores que estão totalmente ligados. Não se mexe nos juros, sem afetar, por exemplo, a inflação. Não se recolhe mais impostos sem diminuir a capacidade produtiva do setor privado.

E aí, quando precisamos dessa nova abordagem para esses ambientes sistêmicos, novos conceitos emergem. Um deles é desse tal de capital social, que nada mais é, em uma linguagem bem direta, do que o nível de interações e conexões que um grupo retém entre seus membros, conceito trazido diretamente desse vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=-3bnzmykCiM. É bastante interessante notar como o Professor Augusto de Franco, no vídeo, cara estudou e viu que certos povos se diferenciavam somente pelo fortalecimento dessas conexões e da criação de espaços de colaboração e conexão, somente com o poder do capital social.

Mas como isso acontece na prática?

Imaginem essa imagem como dois países. No primeiro, o Habitante 1 vai abrir seu restaurante e o Habitante 8 é produtor de carne, mas o capital social é tão fraco que eles não se conhecem e o Habitante 1 precisa investir enormes esforços para chegar até o único produtor de carne do país A. No segundo país, a situação é muito parecida, só que o Habitante 1 já conhece o Habitante 4, que o conecta ao Habitante 8. Há, então, menos esforço para uma tarefa crucial do negócio, permitindo que o empreendedor do segundo país possa seguir adiante com o progresso de sua empresa. Com o capital social sendo um fator determinante para o fortalecimento das transações temos um avanço na economia local.

Claro que tudo isso foi uma simplificação, mas o que tal modelo nos traz é como o capital social e as conexões de um ecossistema é fator diferencial para a evolução econômica de uma nação.

No fim, a educação se une a esse capital social.

E, como cereja do bolo, podemos unir os dois lados da moeda. A educação é instrumento de fortalecimento cultural além de fortalecer o capital social do país e a gerar mais estímulos para uma sociedade em que as interações são muito mais fortes e presentes. E, como falamos anteriormente, há uma relação bem interessante entre o capital social e a capacidade de uma comunidade de co-criar seu futuro.

São inúmeras as medidas e promessas que um político pode colocar na sua campanha, mas o grande ponto é que elas só vão fazer algum sentido pra mim, depois de toda essa reflexão, se essas promessas tiverem como base a criação de um sistema educacional que fortaleça as interações entre os cidadãos que saem desse sistema.

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