#1 — Brave New Start
Já fazem alguns meses ou, quem sabe, um ano que deletei meu primeiro perfil do Medium. Não tenho como ter certeza. Eu costumava escrever sobre dramas amorosos, sobre perdas, fracassos e depressão. Era algo muito pessoal, muito íntimo. Por meio do texto, encontrava a capacidade de trazer para fora do peito aquilo que nunca conseguiria em outras circunstâncias. Era um processo doloroso escrever sobre tudo que feria, por outro lado, fazia com que eu me sentisse aliviado.
Um dia, achei que seria uma boa ideia compartilhar um desses escritos no Facebook — havia decretado que precisava tornar a minha dor pública, não fazia mais sentido guardar tudo que eu sentia só para mim. Quase que instantaneamente, obtive respostas de carinho e de empatia. Isso me fez bem … pena que durou tão pouco. Logo surgiram aqueles murmúrios ao meu pé do ouvido sobre como tudo não passava de exposição desnecessária.
Infelizmente, dei ouvidos às vozes e, movido por um certo desalento, apaguei tudo que era secretamente meu — e, repentinamente, não era mais tão secreto assim. Cada palavra, oração, parágrafo e texto completo, sobre qualquer coisa que fosse. Tudo desapareceu em um clique. A sensação de libertar-me daquilo foi boa no momento, mas não demorou a voltar-se contra mim: logo notei a estupidez da minha decisão. Por que eu estava escondendo o meu coração ferido? Era assim tão ofensivo deixar que as pessoas soubessem sobre ele?
Magoado, deixei de escrever. Todo o turbilhão caótico da minha subjetividade, que havia externado à duras custas, havia simplesmente desaparecido. Demorou até que eu tivesse coragem de tentar novamente, mas aqui estou. Decidi tratar isto como um desafio. Uma amiga certa vez escreveu que, todas as vezes que suprimimos o que sentimos, um recipiente de água dentro de nós vai se enchendo. Eventualmente, ele irá transbordar e dar vazão para momentos de tristeza. Não é isso que eu quero para mim.
Eu quero fazer disso um espaço de auto-descobrimento. Um diário, por assim dizer. Um local em que eu me sinta seguro para explorar todas as dores que carrego comigo, mas também todas as alegrias. Quero que as pessoas leiam e sintam que não estão sozinhas, porque eu acabei descobrindo que é isso que desejo também. Quero restaurar toda a coragem que uma vez tive parar me perder na imensidão de mim.
Após tanto tempo parado, isso meio que vai se tornar um espaço de pura experimentação. Peço que compreendam. As palavras vão sair travadas, talvez por ainda achar, bem no fundo da minha consciência, que tudo isso deveria estar guardado a sete chaves. Talvez porque eu não sinta que tenha a capacidade de dar uma voz corretamente ao que eu sinta. Porém, se eu não tentar, ninguém mais irá; e, na realidade, ninguém pode fazer isso por mim.
Por fim, agradeço pela disposição em acompanhar-me. Não será uma viagem muito fácil, mas espero que seja prazeroso compartilhar as dificuldades de cada dia com vocês.
