Escrever: prazer culposo

É interessante como dá vontade de escrever quando tenho muitas outras coisas para fazer. Escrever entre elas. Mas o primeiro escrever de que falo é essa atividade de um prazer culposo de fazer literário (sentido amplo).

Culposo, claro. Afinal, há tanto o que fazer. Escrever é um luxo. Será? Para mim, mais e mais se trata de uma necessidade.

Uma necessidade bem tosca, até. Primitiva. Escrever é um luxo porque não sucumbir é o ouro da vez, e, para alguns, escrever é a única forma de não sucumbir. Daí que isso tudo que venho falando pode parecer loucura, mas posto em perspectiva com o mundo concreto… o que é a loucura, mesmo?

Elaborar

Não basta ter o que dizer. Não basta dizê-lo. Há que se elaborar o pensamento. Cacoete de quem vive de visitas constantes à Torre de Marfim já há alguns anos. Elaborar para que, mesmo? Elaborar para quem? Mais vale a frase de sintaxe truncada e recheada de estrangeirismos que ninguém sabe ao certo como entender, ou então o dizer simples e que diz, comunica, emociona e afeta (afeta!) virtualmente a todos?

Em última análise, o mundo precisa mais de quê? Mas a análise anterior ainda permite essa: você está mesmo assim tão preocupado com o mundo? Porque às vezes me parece que do que o mundo precisa é só ser deixado em paz.

Vamos deixá-lo (deixá-La?) em paz. E escrever mais.