Haikaiss, Bello, Anitta e o Papel Machê.

Bang. Bang, da Anitta, mesmo.
Quer saber? Maior som.
Acho que ela tá falando dumas paradas de sedução e tal, uns jogos de homem e mulher e quatro paredes.
Bobagem, né?
Som bosta, né não?

Né não, tio.
Quer saber? Aí, deve ter um montão de mina que precisa da música dela, tá ligado?
Tipo a mina que tá com a auto estima lá em baixo, manja?
Manja não?
Uns lances de rejeição, complexo...
Umas paradas assim.
Você também tem disso.
Pode ser aquela mina que só quer um aditivo - e música é combustível - pra se divertir e dançar à noite.
Tá ligado?

Pode ser que pra você - como já foi pra mim - o som da mina seja uma bosta. 
Mas não é não, mano.
Ela (aham, a Anitta) deve dar a maior força pras minas se sentirem e serem poderosas.
Tô falando de identidade, sabe?
De tu não estar muito bem com uma situação e procurar algo positivo pra se espelhar.
Sedução é poder. Todo mundo tá querendo ter poder, mesmo que rapidinho.
O som da mina (suponho) deve tá falando assim pras outras minas "arrasa, diva!".
Isso deve dar mó levante no moral, ó...

Pô, e digo mais: a música é bem produzida pra caralho!
Padrão daquelas minas lá dos isteites. Tipo Bionci.
Boa referência.
Aí eu pensei "mano, a Ludmila deve dar a mesma moral pras minas, ainda mais as minas lá dos fundão de onde só vem estatística triste, lá de onde os caras do IBGE tem medo de pisar...".

Deve ser bem legal ser negra e suburbana ver uma negra suburbana ascender socialmente.
Meu irmão, a mina tá com bala na agulha e que se foda se você acha o som dela uma bosta.
Pior (pra você): o som dela salva mais vidas do que a Xuxa em missão de paz pra UNICEF.
A Xuxa dá mentira. A Ludmila dá disposição e auto estima.
Né besteira não, tio.
Tem muita gente triste por aí, passando (ou vivendo desde sempre) us momentos daqueles que cê acha que só existe distante e maquiado no Esquenta.
Tá geral querendo um carinho. 
Melhor dizendo: precisando dum carinho.

Pode chamar carinho de pica, se quiser e considerar que carinho é isso, caso uma pica dura seja a única coisa que vem à sua mente.
Pode ser que seja isso também, mas tem mais.

Sei lá...
Ser um brinquedo de papel machê numa manhã dessas...
Acordar e renascer antes do aluguel vencer...
São várias batalhas aí que cê não tá vendo.

Outras culturas, outras idéias...

Chico Buarque da periferia é o Bello.
Os caras do Sorriso Maroto também traduzem sentimentos, ou tu acha que só o Caetano é sensível?
Né comparando obra não, tá ligado?
Cada um no seu contexto e conforto e acessibilidade e linguagem.
Se esqueceu que todo mundo é parecido quando sente dor?

Tem gente que não sabe quem é ou foi Paulinho da Viola, GOG, Emicida, Kasabian, Interpol, Julian Casablanca ou o vocalista lá do The Police.
Quem é Julian Casablanca, mano? Nunca vi ele no espelho, caramba...
Tem pessoa que não reconhece o Michael Jackson quando esse era negão.
Há quem não tenha acesso, ou tenha muitas contas à pagar.
Ou não se identifica mesmo.
Respeita aí quem não se assemelha aos seus gostos ou ídolos.
As pessoas buscam na música o mesmo que você busca.

Pra muitos a busca é por identidade.
Ridiculariza o pagode dos outros não.

Não vem falar de Dark Side of The Moon, não.
Papo de Lua era naquela música lá do Katinguele.
104,7 - Transcontinental FM, sem papo de ácido lisérgico.
Tem gente que conhece uns lados darks dumas coisas aí sem ter que pedalar na bicicletinha do ET.

Respeita aí a caminhada dos outros.

Lá nos arrocha, Chimbinha é Josh Homme e a Bethânia passou longe.
É diva? É. 
Assim como ainda tem muita Elza Soares anônima por aí.

E, com todo respeito, alguém pede lá pros muleke da Haikaiss parar de rimar "egocêntrico feito um umbigo eu rimo bem e como a mina do seu amigo" porque, isso sim, tá feio pra caralho.

10/03/16

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