Televisão: meio de informação ou dominação?
Você já parou para pensar em todos os passos e ações que você toma ao longo do seu dia? Acordar, levantar, tomar café, ir ao trabalho, entre outras atividades cotidianas. Essa padronização de afazeres é o que chamamos de rotina, algo que seguimos por vários dias ao longo da semana, do mês, e, muitas vezes, por diversos anos. Porém, precisamos levantar alguns questionamentos: o que condiciona essa rotina? Quais influências externas que a afeta? E principalmente, a indústria cultural controla nossos hábitos?
É um fato que a economia condiciona nossos hábitos sociais. Os detentores do capital são condicionados a seguirem um padrão de roupas específicas para cada ambiente, uma alimentação seguida de regras e modos de se comportar a mesa, e os mais diversos padrões de etiqueta. Já os que não possuem acesso a outros meios de comunicação, dependendo exclusivamente dos meios tradicionais, são condicionados a acreditarem em tudo que veem e ouvem a partir de determinado transmissor. Nesse cenário, os telejornais, tanto locais como nacionais, são fontes confiáveis de informação para esse público, e para que isso ocorra, a comunicação de massa é um dos maiores meios utilizado, dando ênfase à Televisão.

Nos meados do século XX surge a teoria crítica, a partir da Escola de Frankfurt, movimento filosófico, social e politico da época. Esse movimento foi divido em duas gerações, na primeira os principais nomes a serem destacados são: Theodor Adorno, Max Horkheimer e Hebert Mercuse. Já na segunda geração, destacam-se Jürgen Habermas e Albrecht Wellmer. Essa teoria, diferente da teoria tradicional, tem como objetivo criticar e mudar a sociedade como um todo, criando uma sociedade racional e livre. Em comparação com o que vivemos atualmente, a indústria cultural nos força a acreditar que estamos sempre atrasados em relação as novidades do mercado, seja com um lançamento de uma nova linha de celulares, roupas, e os diversos materiais ligados a praticas consumistas, a teoria crítica chega como uma real crítica a esse sistema. Porém, qual seria sua semelhança com nossa rotina, citada no paragrafo anterior? A resposta está nos gatilhos mentais escondidos nas propagandas de televisão, anúncios nas redes sociais, e até nas ruas, com panfletos espalhados por todas as partes. De forma quase imperceptível, esses anúncios são transmitidos de maneira constante, presentes em nosso inconsciente, e quando vamos realizar a compra que não temos um parâmetro de qualidade, temos grandes chances de comprar aquilo que foi anunciado. E quando o acesso do individuo é limitado a tudo que ele assiste?

Nesses casos, a televisão segue uma programação quase que padrão para todas as emissoras, começando com os telejornais, locais e nacionais, uma grande quantidade de novelas, distribuídas ao longo de sua programação, e outros programas específicos de cada dia da semana. Em cada intervalo entre um programa e outro, ou na mudança de um programa para outro, diversos investimentos são gastos por marcas para possuir aqueles poucos minutos existentes nesses períodos.
Um dos maiores programas da região norte do país é o famoso “Alerta Amazonas”. Comandado pelo polêmico apresentador Sikeira Jr, o programa tem como foco apresentar à população as ocorrências policiais que acontecem no estado do Amazonas, juntamente com quadros de entretenimento criados pelo programa para diminuir o teor das ocorrências. O programa, por diversas vezes, chegou a ser o líder de audiência do horário, considerado nobre, na televisão. Um programa que tantas pessoas assistem não pode deixar de conter propagandas que vão desde materiais de construção até produtos alimentícios. E qual a vantagem de anunciar seu produto dentro desse programa? Um programa transmitido em TV aberta, que continua sendo um dos maiores veículos de comunicação de massa, acompanhado pelos mais diversos públicos, desde aqueles que não possuem acesso a outros meios de comunicação, até pessoas de classes mais favorecidas economicamente, é quase que irrecusável não se divulgar em um programa como esse.
As propagandas, geralmente, são seguidas de desafios com os produtos anunciados, desafios esses que tem como objetivo entreter seu público, oscilando entre o humor e a hostilidade. O programa vai muito além de ocorrências policiais, ele também passou a ser um formador de opinião, já que seu apresentador compartilha de suas próprias opiniões com seu público. Já as marcas anunciadas passam a alcançar públicos mais amplos, ocorrendo uma necessidade de se consumir tal marca. Como dito no primeiro parágrafo, grande parte do seu público confia nas informações que são passadas, não somente na temática do programa, como as marcas que o mesmo divulga.

Por mais que a teoria crítica tenha sido criada no século XX, ela ainda pode ser aplicada. Não basta apenas entender a teoria, temos que entender os diferentes contextos em que ela atua. É importante destacar o poder que a indústria cultural possui em nossas vidas, e sair da rotina é a melhor maneira de não ser controlado por ela, ao mesmo tempo a dificuldade se encontra nessa fuga.
Autores: Izabella Maciel e Lucas Sena
