111 (1) — Resenha

lucas amorim
Nov 3 · 3 min read

Depois do aclamado “Não Para Não” que fora lançado em outubro de 2018, muito se perguntou em qual seria o próximo passo da Pabllo Vittar (ou referenciando aquele meme: a Pabllo Vittar realmente iria longe demais?).

Um álbum totalmente em português e com ritmos essencialmente brasileiros (do tecno-brega ao pagode baiano), o NPN conseguiu alcançar grandes feitos para a carreira da drag queen e também ajudou a popularizar a artista no mundo, ainda que bastante boicotada no próprio país de origem.

Capa do álbum 111 (Foto: Divulgação).

Pensado como um material de introdução nesse mercado internacional, surge o 111, seu novo disco, onde sua equipe adotou uma estratégia de lançamento bastante comum na era do streaming: a divisão de um álbum em EPs com lançamentos separados. Talvez uma ideia que tenha surgido a partir da observação dos erros cometidos na era anterior, e também por conta da crescente cobrança por lançamentos com maior frequência que essa nova forma de consumo de música impõe.

O nome 111 faz uma referência direta ao dia do aniversário da artista 1/11, e a primeira parte do álbum foi lançada na noite de véspera do aniversário da artista. Nessa resenha darei destaque às faixas que até o lançamento do EP eram inéditas sem nenhuma justificativa lógica além do clássico “fi-lo porque qui-lo”.

Ainda não consegui definir se Amor de Que é um forró arrochado ou um arrocha forrozeado, mas a música já começa rasgada com um solinho de saxofone bem clássico de ambos estilos. Muitos elementos remetem bastante aos forrós que fizeram sucesso na região Nordeste por volta da década de 2000 e comecinho da década de 2010, a sonoridade e o sax no início lembram muito músicas do Forró do Muído (antiga banda de Simone e Simária), a assinatura do Brabo Music no início, o trecho falado acompanhado de uma guitarra no fundo e o encerramento da música num fade out (diminuição de volume gradativa) também são elementos que automaticamente transportam o ouvinte pra a atmosfera desses forrós da década passada. O melhor de tudo é que a música soa genuína e não como uma imitação ou como uma forma de emular algo já existente, já que a própria Pabllo já tem outros lançamentos que bebem da música regional nordestina.

Ponte Perra, sua primeira música totalmente em espanhol, serve como uma introdução e também apresentação da Pabllo ao mercado latino em uma inusitada mistura de reggaeton com PC Music. Nessa faixa Pabllo se joga de cabeça no PC Music, uma vertente da música eletrônica que a artista já havia flertado em outros trabalhos, como Buzina, Vai Embora e Flash Pose, faixa do mesmo disco e parceria com a Charli XCX, um dos principais nomes do estilo. Se anteriormente a artista colocava alguns elementos do estilo, é nessa faixa que ela experimenta a bateção de panela de maneira mais imersiva.

A primeira parte do álbum passeia por diversos estilos musicais sem soar, em momento algum, desesperado e mesmo arriscando em territórios ainda não explorados, segue com a identidade da artista bem clara. A curta duração das faixas (estrategicamente pra garantir um número maior de streams em um curto espaço de tempo) é um grande defeito do álbum, dos últimos lançamentos da Pabllo e dos artistas pop em geral.

lucas amorim

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