Você não entenderia se eu acordasse as minhas luas

Pediria para abaixar as cortinas porque tanta luz cegaria o seu sono. Você também não esconderia o olhar de quem pede por silêncio, num desenho minguante dos seus braços, quase fechados para abraçar a minha nova casa.

Vim fazer morada onde as ilhas dançam no azul da solidão, deitando os pés na areia que encontra na água fria cobertor. Era um desejo desses antigos que sobrevivem ao tardar dos anos, espera com raízes profundas o beijar do sol pra florescer. Deu flor. Não imagino o quanto será de cor esse meu jardim. Por enquanto, ando a ver do meu chão ao meu céu, como quem sabe que felicidade é de um todo simples. Nasce, mas também é poente. E quando se vai, deixa um recado de “volto já”.

Mas você não saberia lidar com esse meu luar. Minhas fases, meus mistérios. Se pisaram por aqui, não deixaram bandeiras. Segui deserto de gente e selva de mistérios, o que não abaixa a cabeça de um coração sozinho. A gente se acostuma, entende?

Talvez você não entenderia. Talvez seja só ainda cedo, duas da tarde, sol quente, nada da noite chegar. E você sem perceber que, ainda assim, estou lá. Peço só que não adormeça. Que vista a noite nos seus olhos e seja, por hoje, luz que alumia o meu amar.