Lucas Torres
Nov 6 · 2 min read

Jovem Daniela, seu texto apareceu como notificação pra mim, e mesmo que eu nunca as abra, hoje eu resolvi fazê-lo.

Curiosamente é o primeiro no Médium que discordo a ponto de querer me expressar, por perceber que tudo isso dá uma discussão maravilhosa

e rica.

Bem, o questionamento mór nasce quando você percebe que quem quer desabafar muito provavelmente não tem energia emocional pra pensar em se comedir tanto, ou se organizar dessa forma. Na minha experiência pessoal, a tentativa de traduzir a dor em palavras vem do desespero em fazê-la ir embora.

A gente atropela as coisas? Com toda certeza. É daí que penso que o interlocutor não deve dar atenção a negatividade que se derrama. Apenas ser presente já tá de ótimo tamanho.

Quem sente dor, por vezes, só não quer estar sozinho. Quer ser enxergado, ouvido, tocado – acolhido. Um pedaço de papel, um texto em tela podem expor quem você está sendo naquele momento, mas não te dá o abraço que a presença humana possibilita.

Acho que o nosso erro é sempre querer dar esse acolhimento na mesma forma equivocada que se tenta extirpar a dor: em palavras. Somente estar ali já costuma ser um fato definidor.

E daí, se a escuta for empática o suficiente, com certeza consegue-se conectar com a agonia na sua frente, e sentir um pouco essa troca, da forma mais solidária possível. Você que ouve tem mais energia pra pensar numa forma de alívio do que quem se encontra no olho do furacão … talvez aí, e só aí, as palavras sejam de bom uso.

Grande abraço!

    Lucas Torres

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    Estudante de Psicologia, inserido no contexto bio-psico-sócio-espiritual. Esforço em manter-me são, enquanto luto pra entender essa (des)organização toda.