Moralidade é figura de linguagem

Conhecer as metáforas que confundem a própria mente e induzem ao erro – passivo e salvo de auto-julgamento – é a desvantagem de quem domina construções vocabulares.
Abreviações e pseudônimos diminuem em metonímias os pecados que nos afastam da cruz. São agonias silenciosas, particulares, maquiadas por uma fina camada de pó negro, feito da culpa que não admitiremos
por medo.
Medo de ser quem somos.
Medo de não aceitarem quem somos.
E esse mesmo medo, mergulhado em catacreses comuns, descreve a cortina de fumaça por trás do olho do furacão: A sinestésica potência da sensação de sentir dor, mesmo anestesiado, em todos os acessos que se tem,
e dizer que tá tudo bem.
Se nenhuma antítese pode parar o seco som da chuva intenciosa, que propõe o conforto á integridade,
qual o valor do meu esforço?
Se sempre existirá uma verdade eufemizada, porquê acreditar em minhas palavras, já contaminadas pelos conceitos e preconceitos normativos que formam os traços limitados de quem me tornei?
Que somos hipócritas, todo mundo sabe.
Deplorável é repetir a redundância da desgraça,
de aceitar o fato feliz,
proliferando falácias em aliteração,
mentindo bonito pra o eu interior,
resumindo, em barbarismos - por fim e sem volta -
o sentido de viver.
