Na vida não há voltas redondas

Expando-me a medida que me exponho ao Sol

Disserto e disseco cada linha já escrita

E apenas sinto dó de mim

Pois meu coração se contrapõe às luzes

E se apequena a cada Dó menor

Tudo que canto e toco se torna oco

Como um toco de madeira podre, Midas reverso

Eles encostam em mim e viram ouro

Eu os acaricio e me torno um outro

Qualquer

Eternamente insaciável

Não há percurso que não dê na mesma volta

Não há retorno que me deixe ir embora

Um labirinto com caminhos infinitos

Onde as paredes me impedem de achar um meio

Para ver-me livre da solidão

E de seus sucessivos e irritantes lampejos

Hoje expiro a cada canção ou livro

Eu apenas olho as páginas e não as leio

É dificil concentrar-me diante de tantos ritos

De passagem que duram a vida toda

Ritos os quais me pergunto:

“Será que valem a pena mesmo?

Já que o sentido deles se esvaiu no fim, início e meio.”

Like what you read? Give Lucas Freitas a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.