Ex ateu: enfim, a explicação.

Lucas Garofalo
Aug 8, 2017 · 5 min read

A poucos dias anunciei em uma de minhas redes sociais que voltei a acreditar em Deus. Para meu espanto, a quantidade de perguntas veio me mostrar que o “ex ateu” não é algo tão comum como eu acreditava, uma vez que, a maioria dos homens comuns como eu, acreditam em um regente superior do universo e tudo nele abrigado. Por isso, venho por meio deste polpar meus esforços, a ponto de responder todas as indagações dos que me rodeiam, partido do princípio de que são dignos, e logo, tem o direito de saber minhas respostas.

O primordial e mais importante ponto para se entender toda minha linha de raciocino é: Não foi uma decisão, ou melhor dizendo, conclusão, que tirei por momentos de fraqueza, desespero ou indecisão. É bem ao contrário, na verdade. Foi por reflexões profundas depois de leituras incessantes e coleta de dados de todas as mídias, vindas das mais variadas pessoas (literatos, filósofos , sociólogos, biólogos e etc).

Estive analisando e observando os ciclos da natureza e a história natural. A natureza, primordialmente, tem ciclos e processos muito bem coordenados, de forma que poda os próprios excessos. É pródiga, e seus fenômenos apontam sempre em busca do mais perfeito equilíbrio em cada escala. Pense em uma erupção vulcânica: destrói tudo a sua frente, do mais maleável ao mais rígido. É implacável. Mas “ paradoxalmente ‘’ — não creio que este seja o termo mais adequado — as cinzas vulcânicas são extremamente férteis, a ponto de repor o solo de tal forma que possibilita manifestações vorazes de vida. E não paro por ai: a natureza tem uma capacidade imensa de se aperfeiçoar e podar os próprios excessos. A seleção natural, a evolução, a relatividade, destilam isso com primazia em suas linhas. Logo, cheguei a conclusão que, caso o universo e toda sua abrangência fossem obras do acaso -coisa que este que vos fala acreditava a pouco tempo atrás- nossos ciclos seriam mais caóticos, os processos naturais seriam demasiadamente mais aleatórios, e a vida- no sentido amplo do termo- seria por muito mais frágil. Se a vida se sustentasse em fatos advindos do acaso, o desamparo da casualidade, nos levaria, e a todos os processos naturais, a ocorrência de imprevisibilidades desordenadas e caóticas.

Preciso também destacar outra conclusão de minhas reflexões. A expressão “e Deus fez o homem sua imagem e semelhança”, comum dentre os praticantes de religiões de matriz judaico-cristãs — que inclusive, trazem tais palavras em seus livros sacros- se unta de uma razão inexorável. A diferença primordial da espécie humana para outros seres é a capacidade de pensamento criativo, autônomo e voluntário. Ou seja: a faculdade de coordenar suas ações e conceitualizar suas sensações e experiências de forma verdadeiramente livre, pois tem o mínimo de reflexão. Capacidade essa de pensamento e reflexão, que nos da o poder de criar-criar nos sentidos mais amplos que se possa imaginar- de forma desprendida de princípios puramente primitivos. De Salvador Dali em suas imortais pinturas, a Slash em suas empolgantes composições de Rock, conseguiram atingir tais feitos artísticos, não porque estavam agrilhoados a elementos primitivos de nossa existência, mas sim porque estavam manifestando o que o ser humano tem de mais natural em seu âmago: atribuir sentido ao mundo, para que a própria existência seja o meio para o fim da felicidade. Hora, dizem que o ser humano é um ser adaptável, máxima que eu pessoalmente discordo, nós não nos amputamos e nem sofremos mudanças morfológicas corporais para entrar em uma fresta, ou não criamos capacidades físicas além de nossas limitações para atravessar montanhas, nós, aumentamos o buraco e inventamos o avião. Logo, a partir deste simples raciocínio, creio que o ser humano não é adaptável, e sim adaptador: molda os elementos a sua volta, reinventando a própria realidade tátil, para melhor lhe atender. Diante dessas exposições singelas de homem comum que sou, concluo que, a parte mais certa da máxima religiosa que o homem é imagem e semelhança de Deus, é que o mesmo nos iluminou especialmente com sua capacidade mais grandiosa: A capacidade de criar, mas criar voluntariosamente, livremente-interpretando nossas experiências e sensações, e dando sentido a elas de diversas formas de criação- e não de maneira instintiva e irreflexiva. Coisas como arte, língua e linguagem, amor e ódio, são exemplos cabais desta explanação. É como diz um de meus grandes amigos, a qual não tenho permissão pra citar o nome, é isso que faz do ser humano “ os átomos mais afortunados do universo”.

Então, em conclusão, esses são os elementos que me fizeram abandonar a minha antiga filosofia niilista: A natureza é muito bem coordenada para ser uma sucessão de eventos ao acaso, e a capacidade primordial de pensar e criar que nos permitem ser a espécie dominante. Mas há de se fazer considerações finais sérias:

  • Isso são questões de opinião pessoal, não me coloco como o grande regente da verdade, como não me colocava antes.
  • Essas conclusões e narrações não partem de nenhum “achismo”, mas sim de estudos e reflexões. E acima de qualquer coisa, são exatamente essas práticas (Estudo e reflexão) que são ferramentas para levar o homem a sua plenitude, indiferente do que ele acredite.
  • O Niilismo é um conceito filosófico muito sério, e não deixou de ter seu valor histórico filosófico para mim.Apesar de não seguir mais sua linha doutrinária, ainda reconheço seus princípios como legítimos para outras óticas. Partindo da premissa de que a vida e seus valores não tem fundamento absoluto, o Niilismo-diferente do que fazem os seus entusiastas contemporâneos com cérebro reptiliano-leva a máxima de que o ser humano da sentido e cria valor a própria existência. Conceito que, se for levado a sério em sua matriz filosófica, nada mais prega do que racionalidade, sobriedade e valorização de si e de seu semelhante, pois parte do pré suposto de que,o ser humano,é um meio para seus próprios fins, logo o indivíduo é responsável por manter ordem e harmonia da complexa vida em sociedade com seus semelhantes. O niilismo prega o princípio fundamental de assumir responsabilidades em seu sentido mais absoluto. Ser cético não é morrer de cede, e sim escolher com cautela a água que se bebe.
  • A posição de Ateu não passou a ser condenável para mim. Continua absolutamente comum tal posicionamento. E vou além: não há nada de indigno ou degradante nessa posição, afinal, foi a posição que acatei por longos 11 anos, e contínuo sendo o mesmo cabeça dura de sempre.
  • Esta dissertação expõe fundamentos de pensamentos de cunho PESSOAL, logo, não tem a intenção de provar ou intenção alguma além de esclarecer dúvidas de meus queridos a minha volta.
  • Não confundam, acreditar que o princípio criador do universo é um ser inteligente em acreditar em cobras que falam, paraísos com rios de leite e mel, espíritos que usam humanos de hospedeiros e etc.

Espero ter conseguido levar a vocês a clareza que tais conclusões tem para mim, e ter me feito entender. Não conversarei mais sobre isso sob circunstância alguma. A todos que me leram, felicidades.

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    Estudante de história. Conservador. Escritor e muitas outras coisas por entusiasmo. Hora publicarei textos opinativos, hora publicarei textos literários.

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