Um conservador entre as aberrações.

Estava eu assentado no grande sofá de minha sala de televisão em casa, buscando me recuperar de um stress originário de meu trabalho. Liguei a televisão e nada que me interessasse passava, então fui as redes sociais, passando pelo Facebook e chegando ao Whatsapp.

Sou estudante de história — um dos muitos cursos que fazem parte da grade das ciências humanas — e como é de praxe hoje em dia, minha turma tem um grupo de Whatsapp, como toda reunião de pessoas por qualquer motivo ou interesse comum. Percebi que as pessoas — no caso meus colegas de classe — estavam trocando mensagens em uma conversa ativa, então, buscando matar o tédio fui até o grupo verificar o que meus colegas estavam dizendo. Deparei-me com algo que não me espanta em nada, mas venho relatar na forma deste artigo afim de praticar o único exercício que foi capaz de sanar meu stress e meu tédio: a escrita.

Como é esperado em todas as salas de cursos das ciências humanas, a maioria dos estudantes são de esquerda,até mesmo quando não são declaradamente de esquerda, as práxis de esquerda já estão impregnadas nos estudantes de tal forma, que acreditam estar defendendo tudo que há de bom, justo, altruísta e generoso no mundo, enquanto quem está fora dos raciocínios dessas práxis, é automaticamente mal e perverso.

O primeiro ponto em que percebi, é um dos problemas primordiais do pensamento esquerdista, que na minha opinião, chega a ser um problema sociológico de honestidade: transferir para o estado, todas as responsabilidades da vida do indivíduo. Mas nem todos-a maioria é certo de que não — fazem isso só pelo simples fato de acreditar na falácia de que um homem não pode raciocinar, trabalhar e se associar a outros,para a auto prosperidade em diversas situações sem a necessidade da moderação do estado, ou porque são completamente desprovidos de inteligência e de assimilar saber crítico sobre o próprio meio e acabam alimentando as valas que chamam de cabeça de jargões e falácias, como é o caso de alguns poucos. A maioria o fazem para fomentar o jogo político em nome dos grupos que são seus adestradores, se manter em alta na networking esquerdista que existe dentro das academias de humanas (ser sempre os mais privilegiados entre os professores em uma troca mútua de guinada de egos por troca de discursos que se reafirmam, serem sempre selecionados para programas de bolsas e projetos acadêmicos, terem menos inibição e mais liberdade para pregoar as imbecilidades de seus discursos, e ainda se travestirem de seres sócio-culturais perfeitos,para facilitar o processo de alcançar a cópula com o sexo oposto) e construir uma relação de poder entre os próprios alunos baseada no jogo ideológico. Claramente vêem a necessidade de exaltar o estado tal qual ele é e está, e a dominação do estamento esquerdista no mesmo, porque tem total consciência de que se beneficiam destas práxis hoje dentro da acadêmia, e que desta forma, será mais fácil sobreviver desta mesma situação do estado de forma direta amanhã.

O segundo ponto verificável — o que diga-se de passagem não me choca em nada- é a arrogância, a prepotência, o ódio e o despojamento que existe no discurso frívolo dessas pessoas. Ao se referir a linhas de pensamentos diferentes, a candidatos que não fazem parte da patota esquerdista da comunidade política e a práticas que neguem diretamente o establishment de esquerda, se referem de maneira conflituosa, histérica e perversa. Presenciei alunos terem sua participação jubilada de trabalhos acadêmicos em grupo, serem excluídos de decisões que refletiriam em toda a turma, e serem ofendidos de forma velada, por simplesmente não caírem mais nas abobrinhas esquerdistas. Inclusive comigo, enquanto defendia a descriminalização do porte de arma de fogo para o cidadão civil, disse um marxista em um de seus argumentos contrários que, “a galerinha tem que segurar sua síndrome de rambo”, .

Mas porque isso não me choca em nada? porque a explicação é simples, e é conferível na história do mundo — desde a revolução francesa pelo menos — sem precisar de muita reflexão: Aprenderam com a própria mecânica esquerdista. O pensamento esquerdista, por fomentar a ideia de que seu grupo — seja ele um partido, seja ele um movimento — é o único que tem a capacidade de fazer os homens prosperarem em sua convivência social, buscam a destruição de tudo que falsifica esta premissa, ou seja, todas as situações em que um indivíduo se associa a outros,gerando prosperidade e bem estar sem agredir e nem transpassar o interesse e a integridade de terceiros.E todos os valores que não emanam da cultura de um grupo presente, mas sim de aspectos históricos que foram herdados pelos homens ao logo da história, e foram repassados de geração em geração na forma de tradições, por serem os mecanismos que geraram a seguridade e prosperidade ao próprio homem em sociedade, também são alvos da trupe esquerdista . Então não atoa, os esquerdistas não cansam de atacar, relativizar e desvalorar coisas que são o exato retrato disto -como família, religião, casamento tradicional — e a pregar coisas que causem o completo caos social, que destruam tudo aquilo que faz o homem e a sociedade coexistirem de forma sólida — uso indiscriminado de drogas, libertinagem sexual, indisciplina, manifestações culturais frívolas e pornográficas.

Mas existe uma coisa em que os Gramiscistas não contavam: chegaria o instante em que as práxis não funcionariam mais de maneira hegemônica, e este instante chegou. Na minha turma, existem um número próximo de trinta alunos, e dentre eles, existem cinco de direita, três liberais e dois — no caso eu e mais uma aluna — conservadores. E ao perceberem que o ambiente não é mais hegemônico como eles esperavam, e que os diferentes fazem notar sua presença no espaço acadêmico, o jardim zoológico das aberrações se revela, os jargões passam a ser teorias político-cientificas, os achismos passam a ser tratados como argumentos sólidos de caráter dogmático para debates, as ofensas passam a ser frequentes de forma escamoteada nas conversações, e a segregação compulsória de estudantes vai virando realidade.

Só uma aberração pode travestir-se de humanitário e justo enquanto faz da universidade — um ambiente que deveria ser pacífico e democrático — um ambiente completamente hostil, segregador e que exala conflito e ódio, isso tudo em nome de sua networkig, seu status e do grupo político que o tem na coleira. Só aberrações para acharem sofisticadas,e moralmente superiores,práticas que agridem a própria dignidade humana. Só aberrações focam seus discursos em nossas diferenças e transmitem por essa via um discurso falso de igualdade. A verdadeira virtude caros leitores, é silenciosa. Quem precisa de máscara, ou é palhaço ou é monstro, pois não os convém revelar sua verdadeira natureza.

O vai que cola, não colou comigo, e pelo visto, não estou só. O fato de não serem mais exclusivos no ambiente acadêmico, os fazem tremer de medo. Seu projeto está ruindo a passos curtos, e é impressionante como bastam um ou dois dissidentes para que se sintam sufocados e ameaçados. Esse é meu relato, o relato de um conservador entre as aberrações.

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