Ciro, você tem a nossa atenção.

Com a promessa de “limpar o seu nome no SPC” o candidato a presidência da república, chama para si a atenção de todo o eleitorado brasileiro. Apoie ou não, hoje o Brasil só tem olhos para Ciro.

(Ciro Gomes, candidato à presidência da república pelo Partido Democrático Trabalhista).

Você vai ser um santo aqui, Ciro”. Assim respondeu o presidenciável Jair Messias Bolsonaro (PSL) a Ciro Gomes (PDT), quando este prometeu, de maneira inesperada, tirar o nome do brasileiro do SPC. Bolsonaro não foi o único a ser pego de surpresa. No primeiro debate presidencial de 2018, milhões de telespectadores ao menos se perguntaram, como Ciro pretende cumprir a promessa, caso seja eleito.

As redes sociais vibraram.“Pai Ciro” (Como foi apelidado) caiu na graça dos memes e comentários de internet. Durante o debate, o ex governador do Ceará atingiu o posto de terceiro presidenciável mais citado no twitter, contabilizando 147.642 menções. Quase três dias após o enfrentamento dos candidatos, a fala ainda rende discussões, críticas e aplausos. Jornalistas famosos, personalidades e influenciadores digitais, se uniram a massa militante das redes para dissertar sobre a viabilidade da proposta. O eleitor médio, mesmo que não admita, esta atento. “Vamos lá Ciro! Tem a minha atenção!”.

Salvação? Devaneio? Não, estratégia. Ciro Gomes se adiantou, monopolizando em si, toda a atenção dos eleitores que se entediaram durante exibição do debate. Os opositores se apressam a questionar a viabilidade da projeto, os apoiadores veiculam apoio, e os indecisos, observam, opinam e tiram suas próprias conclusões. “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Ciro parece entender que, nessas eleições cada segundo é precioso. O candidato do PDT, tem direito a apenas 40 inserções de televisão durante o primeiro turno, quase dez vezes menos que Geraldo Alckmin (PSDB). No tempo de horário eleitoral gratuito, a situação se repete, Ciro tem 40 segundos enquanto Alckmin conta com quase 5 minutos e meio. Com muitas propostas e pouco tempo, visibilidade midiática vale mais que ouro.

Os núcleos e grupos liberais, logo se posicionaram contra. A argumentação é de que, a medida custaria dezenas de bilhões de reais aos cofres públicos, um gasto arriscado para um país de economia tão fragilizada. Quem apoia o candidato, diz ser possível, fazendo alusão ás dívidas bilionárias do setor privado, que já foram apreciadas e perdoadas pelo governo. Quanto mais eles discutem, mais Ciro Gomes se põe em evidencia, fazendo mistério e dominando jornais e páginas do Facebook.

(Na foto da esquerda, temos a fala de Ciro Gomes, seguida pela postagem de Fernando Haddad).

O assunto englobou até mesmo Fernando Haddad (PT), que de maneira indireta, reivindicou a paternidade da proposta. Em uma postagem na sua página do Facebook, o candidato petista que tem fugido das câmeras, anunciou o programa “Nome Limpo”, propondo o mesmo que Ciro, horas depois do final do debate.

Durante entrevista, no sábado após a veiculação do programa, Ciro alfinetou: “Preparei um projeto para limpar o nome das pessoas. Tudo o que eu falo agora, os meus adversários estão copiando, está ficando engraçado. Vou fazer um suspense”. O entrevistado ainda tratou de completar o assunto com humor: “Ainda não vou entregar o ouro. Não vou entregar. Pai Ciro não traz a mulher amada, mas vai ajudar você a tirar o nome do SPC. Manda mais meme, mais meme!”.

Teria o presidenciável inaugurado, antes mesmo de Jair Bolsonaro, a corrida da radicalização de propostas de campanha? Se sim, sem dúvida se colocou um passo a frente, ao menos dos candidatos tradicionais. Sem entrar nos méritos técnicos, o pedetista se tornou a estrela do pós-festa. Os demais artistas saíram do palco, mas as cortinas não se fecharam. Ciro Gomes como em um monólogo, ficou com a luz dos holofotes apenas para si mesmo. Por enquanto.