O debate para a Prefeitura de universitários de São Paulo
Ontem foi realizado o debate para a prefeitura organizado por 11 entidades estudantis; centros e diretórios acadêmicos da cidade de São Paulo. A vontade crescente por politização levou a essa iniciativa sem precedentes recentes; juntando estudantes de cursos tão diversos como engenharia, direito e medicina. De vertentes ideológicas às vezes bastante opostas, o objetivo foi discutir a cidade e o voto para a Prefeitura.
O evento teve várias dificuldades para ser realizado: passamos de recusas de universidades em ceder espaço, por problemas de agenda até cancelamento de candidatos (pasmem) no dia do evento. No meio disso tudo, há um lugar comum que me incomodou enquanto classe que representamos. A ideia de que a classe universitária representa uma parcela ínfima da população e por isso não merece a atenção nem o tempo dos candidatos.
Primeiro, é interessante notar a valorização do voto. Em tempos de crise política e de representatividade, principalmente dos jovens que se veem perdidos desde junho de 2013, dar importância à eleição para a Prefeitura da maior cidade do país é um bom presságio de que as coisas estão para mudar.
Depois, mesmo sem boa vontade com essa mudança, quem disse que a classe estudantil é para ser ignorada? Para além de discordâncias sobre esse assunto, uma coisa é inegável: os espaços de poder e decisão são ocupados por pessoas que antes estiveram onde hoje estamos.
Negar o voto e o diálogo com uma classe de estudantes de universidades tradicionais que se reuniram em evento inédito por achar que pouco representa a população é um erro crasso. Isso porque ignora que os universitários não representam quem somos agora, mas sim quem representaremos no futuro. Seremos nós os políticos, os críticos, os eleitores e os formadores de opinião. Negar diálogo a quem quer aprender e tem condições de ocupar esses espaços de poder é não só falta de consideração, mas de visão.
Não só o Russomanno negou nos prestigiar com sua presença, mas também Fernando Haddad, João Doria Jr., Marta Suplicy, Major Olímpio e Luiza Erundina. O único que deu valor a essa iniciativa foi de fato o candidato da Rede, Ricardo Young. Junto a ele, os vices Gabriel Chalita e Andréa Matarazzo.
A estrela da noite foi realmente Fabíola Cidral, nossa mediadora e âncora da CBN. Irreverente, independente, precisa, Fabíola entendeu realmente o espírito que nós queríamos com esse debate. Um diálogo franco da juventude da cidade com os candidatos ao pleito.
Em troca dessa maravilhosa iniciativa, recebemos o descaso. Nenhum dos candidatos quis conversar com o futuro cara a cara. Diria até que não querem conversar com si mesmos cara a cara; se não for por uma audiência de milhões. Que tipo de política é essa em que o debate é apenas para a mídia e não para todos que estão dispostos a pensá-lo?
Por outro lado, tivemos o prazer de conhecer melhor o programa das três candidaturas presentes e mais do que isso: o prazer de fazer bons amigos, de faculdades e cursos diferentes, que levaremos adiante. E quem sabe quando estivermos disputando a prefeitura, faremos questão de participarmos todos da juventude que ainda se importa com a política no país.
Um muito obrigado a todos que compraram nosso ambicioso projeto lotando o Teatro das Artes do Shopping Eldorado. Estamos juntos nos tropeços e acertos. E enquanto estivermos juntos, mesmo nas discordâncias, estaremos bem.
Vocês podem assistir ao debate no Facebook neste link.
Um obrigado aos amigos João Pugliese e Guilherme Venaglia pelas impressões antes da publicação.