Dopamina


Com doses de risos frequentes eu me dopo. São profundas de modo que toda dor e desanimo possa ser esquecido e colocado de lado por algum tempo. A sensação de normalidade da vida e a recuperação de que alguma coisa tem graça é o objetivo. Dar sabor a comida que parece repetida e sem gosto. Deixar de ter toda conversa fosse a mais pura bobagem e todo comentário fosse a mais pérfida idiotice. Essa droga que eu chamo de humor é de fato degradantem, se mostrando cada vez mais necessária após ser usada, é como se não fosse possível retroceder. Depois que da primeira vez, espera-se a queda. O desanimo volta e dessa vez contrasta com alegria que estava presente. Um ciclo é criado. São necessárias novas experiências de riso, dessa vez mais fortes para que doa menos e menos. Mas obviamente, chega-se a um momento no qual não há piadas ou comentários ácidos bons o suficiente para continuarem o efeito que você quer e precisa. Todo esse desânimo constante não se mostra profundo, como algo que nunca será removido, mas se manifesta como algo que cobre tudo, como se tudo fosse revestido de certa melancolia e a habilidade de fazer vir a tona o que se quer enterrar num caixão. Não só há o riso e o humor como uma forma de passar pelo sofrimento, mas há também o coma. Este é um método de utilizar músicas, sejam elas alegres ou depressivas a fim de que a mente se desligue de tudo, entrando num certo transe empírico. Os pensamentos são neutralizados. Estes pensamentos que quando são deixados ao vento fazem a festa e destroem tudo, só reconstruindo o que deveria estar em pó. A música é então outro jeito de se anestesiar, fazer a dor doer menos e poder levar. Parecer que sua dor é mais poética, mais travessia e menos estado faz tudo mais romântico e mais tolerável. A sensação de que alguém já passou pelo que você passa faz a música ser seu cúmplice, e então você divide a dor. Dividi como se ela não fosse apenas sua, fosse também de quem a fez, sua dor fosse da música. Mas como já foi dito, os pensamentos são parte chave do sofrimento. O meio pelo qual eles são banidos não são realmente importantes se eles forem de fato postos de lado. Qualquer atividade que faça com que eles sejam bloqueados e então seja possível seguir em frente com um menor peso, é bom. Qualquer método pode buscado e usado. Um momento em que os tais pensamentos indesejáveis sempre tendem a voltar e voltar é a hora de dormir. E eles estão a espreita esperando a desocupação, e então ocupam, colocando a tona tudo que já tentou ser esquecido, tudo que foi trancado na gaveta o resto do dia. Tudo que você finge não se importar. E para esse momentos, não há método, não há música, não há humor. Há choro

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