O maravilhoso mundo do e-mail corporativo.

Diferente do que o seu chefe pensa, você não é produtivo 100% do tempo. Na verdade, se você acha que é produtivo desde o momento em que senta na sua mesa, até o momento em que desliga o computador, é possível que não tenha ideia do que é trabalho.

Eu acredito que exista um limite de esforço do cérebro para algumas coisas. E eu não digo isso por ser preguiçoso, pelo contrário. Mas é que, quando você enfia a cabeça em algo por muito tempo (e pode ser um tempão mesmo) chega uma hora que simplesmente não dá mais. Qualquer bobagem te tira a concentração e, se estiver olhando alguma coisa na internet, você cai na procrastinação numa questão de segundos. Isso é um fato.

Agora, perder o foco não é necessariamente um problema. É algo que existe para que você dê um tempo. Tome uma água. Releia o que escreveu. O problema mesmo é quando você não quer o foco. Teme o foco. Só a ideia de começar a se concentrar em algo dá uma coceira terrível. E não é nem porque não quer fazer aquela coisa em especial. É uma força maior. Mas também, não tem problema, desde que, eventualmente, você faça o que tem que fazer. Pensando bem, não é um problema.

A questão, no entanto, é que você deveria estar trabalhando. Vai explicar para as pessoas concentradas à sua volta que você está “dando um tempo”. Você sabe que elas estão constantemente olhando para a sua tela com o canto do olho, mesmo quando estão de costas para você. Todos que passam perto da sua mesa estão julgando o que acontece na sua tela. E é aí que está o dilema. Você não consegue ser produtivo, pois o seu cérebro decidiu dar um tempo (e isso é ok), mas você está soterrado sobre uma pressão social e profissional de estar sendo produtivo no horário de trabalho. Lembrando sempre, é claro, que o que realmente importa é se você está fazendo um bom trabalho. Em teoria, poderia trabalhar por uma hora, desde que tudo o que lhe foi dado fosse cumprido.

Agora, você já está pensando que vou começar com uma crítica contra o modelo corporativo de grande parte das empresas. Mas não, tudo o que posso prometer é uma saída estratégica. Ou melhor, usar o sistema contra ele mesmo. É assim que lhes apresento: o e-mail corporativo.

Existe uma aura de grande realização profissional no e-mail. “Tenho 200 e-mails para ler, de ontem pra hoje.”. Você já escutou essa frase. E ela não faz sentido. Mas, para o regramento social no ambiente de trabalho, isso é uma conquista. É motivo para uma promoção. É status e trabalho bem feito. Estar no loop de e-mail, responder e-mail, mandar e-mail, encaminhar e-mail, tudo o que você puder criar com e-mail é positivo. Não há nada de errado quando e-mails estão envolvidos. Envie um e-mail avisando que matou alguém. Sem problemas. Avise que roubou dinheiro da empresa no e-mail. OK. Mande um e-mail relatando que não fez nada do que deveria ter feito. Ótimo.

O e-mail é o ferrolho corporativo. E a sua tela de e-mail é o melhor lugar na Terra.

Nunca se esqueça disso.

Quando seu cérebro tiver que dar um tempo, recorra ao e-mail. Deixe ele ali, aberto. De preferência com e-mails não lidos aparentes. Eventualmente, abra um e-mail antigo. Leia ele sem realmente ler. Volte para a caixa de entrada. Olhe o seu spam. Delete o seu spam. De refresh na caixa de entrada. Leia o e-mail sobre o problema no banheiro da semana passada. Responda um e-mail recente, que não precisa ser respondido. Crie pastas para seus e-mails. PELO AMOR DE DEUS, FAÇA ISSO! É uma ótima maneira de dar um tempo. Crie pastas. Marque e-mails como importantes. Delete alguns. Enfim, use a sua criatividade. No final, eu aposto, as pessoas vão notar o seu comprometimento no trabalho. E você vai receber uma promoção. E vão mandar o aviso. Num e-mail.

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