Avaí 1 x 0 Cruzeiro: Mano no limite do fracasso

A escalação do Cruzeiro antes do jogo contra o Avaí causou um tipo de espanto ímpar em seus torcedores. Mano Menezes lançou seus principais jogadores — incluindo o meia Thiago Neves, que já vem de uma sequência considerável de jogos — diante do time catarinense, cujo dilema no campeonato se resume em encontrar meios para permanecer na primeira divisão. Enquanto as aspirações do Avaí remetiam à sobrevivência entre os principais clubes do Brasil, o Cruzeiro almejava uma classificação diante do Palmeiras na quarta-feira pela Copa do Brasil, depois de passar pelo vexatório 3x3 no primeiro jogo, o que, tendencialmente, acarretaria na escolha de jogadores reservas pelo Mano, pensando em poupar os titulares de um desgaste desnecessário, para poder ir com força máxima contra o time alviverde. Tal expectativa foi logo despedaçada durante a divulgação dos selecionados para o jogo, que não era, porém, a única decepção do dia. O pior ainda estava por vir.
Começa o jogo, e o Cruzeiro amassa o Avaí. As chances, porém, não resultam em gol, muito menos em perigo para o goleiro Douglas e os defensores do time catarinense. Situação curiosa, que se torna o anúncio de uma tragédia. No único lance do time no jogo até então, o Avaí abre o placar, em meio à frouxa defesa cruzeirense. Todos os lances pós-gol do Avaí, em sequência, podem ser resumidos no time de maior folha salarial da partida fracassando na proposta de reverter o resultado. Ás vezes, até chegando perto de tomar o segundo gol da humilde equipe de Claudinei Oliveira. Aqui vão alguns dados do Footstats dos chutes do Cruzeiro na área adversária (ver imagem abaixo).

Vamos lá. O que o time do Mano Menezes fez nesse domingo na Ressacada é um feito. O Cruzeiro, em toda a sua história, nunca havia perdido para o Avaí. Me parece que não há tabu que resista às investidas de Mano, cujo time, com um ano de trabalho, não apresenta nenhuma evolução ou perspectiva a longo prazo. Não vou me alongar aqui. Isso já ficou repetitivo. Vou propor uma reflexão. Imagine você que o Cruzeiro teve de colocar os seus melhores jogadores na partida, mesmo tendo uma decisão na quarta, pois era importante que o fraco time do Avaí fosse vencido, para que o grupo se mante-se na briga pelas primeiras posições. O time não só perdeu o jogo, mas teve que, no meio dos 90 minutos, lançar Arrascaeta recém saído do DM em campo. Nada mais representativo para um time que afundou no poço do desespero e chegou na linde do fracasso: não poupou, não ganhou e vai jogar contra o Palmeiras desgastado. Thiago Neves saiu de campo sentindo a panturrilha. O que poderia acontecer de pior nesse domingo, aconteceu.
A sensação de fracasso do torcedor quando o Avaí abre o placar é peculiarmente amarga. Não há garantia nenhuma, por mais que tenhamos um time recheado de talentos, que o Cruzeiro vai ser capaz de virar a partida. Em alguns momentos, tinha a impressão que os jogadores do Avaí poderiam estender uma cadeira de praia e abrir uma cerveja no meio do campo, que o gol do Cruzeiro não saía. Dificuldade em lidar com times retrancados, quase que o karma agindo em cima de Mano Menezes? Talvez. Porém, devemos lembrar que a criação desse time, na situação tensa em que se encontrava, foi quase nula. As bolas furadas e chutadas de fora da área sem ângulo são apenas o reflexo de um time que não sabe pra onde ir.
Teríamos superestimado o elenco do Cruzeiro? Não me parece ser o caso. Temos um time titular recheado de boas peças. Um banco de luxo. Sacamos Arrascaeta direto dos reservas. Tínhamos Nonoca, boa opção da base. Tínhamos Cabral. Não faltam nomes. Não é esse o problema. Nunca foi. O problema maior, como sempre, é no comando. O time do Mano não é somente pueril, mas é isento de cobrança. Que em qualquer outro time brasileiro ele estaria demitido diante de vexames anteriores, isso é fato. Que ele não seja sequer contestado pela cúpula do Cruzeiro, é vergonhoso. Como fora repetido tantas vezes em outros textos, é um caso peculiar no futebol brasileiro. O treinador do Cruzeiro ganhou o direito de pedir contratações e despedi-las depois de tê-las, ele próprio, queimado em campo. A passividade da dirigência assusta até o mais otimista dos torcedores. É impossível falar da derrota para o Avaí sem mencionar esses pontos, digamos, maiores. Se o Cruzeiro almeja algo em 2017, precisa passar pelo Palmeiras na quarta. Nossas esperanças, entretanto, só são depositadas na partida de volta da Copa do Brasil, porque Mano Menezes fez questão de diminuir nossas opções. O fracasso na Ressacada nos faz lembrar disso da pior forma possível.
