O pior jogo de todos os tempos da última semana

“O pior jogo do Cruzeiro”. Se você já se aventurou pelas redes sociais, deve ter ouvido essa frase após alguns jogos do Cruzeiro nessa temporada. Bem, o problema reside, justamente, na repetição constante da sentença. Nenhuma involução é tão expressiva quanto aquela em que cada jogo parece pior que o anterior. Para o torcedor, é um pesadelo sem fim — a tragédia passa a ser regra, não exceção. Não existe mais ponto fora da curva. A curva é problemática por si só. Esse parece ser o modus operandi do Cruzeiro de Mano Menezes, que perdeu mais uma vez para o Bahia em Salvador.

A tragédia já estava anunciada. Sem Dedé, Mano Menezes tinha a opção mais sensata de utilizar Murilo, zagueiro da base que chegou a atuar bem no jogo contra o Joinville (outro jogo que foi “o pior do Cruzeiro”, diga-se de passagem). Contrariando todas as expectativas e seguindo a linha da improvisação, Mano lançou o volante Henrique ao lado de Léo. Inexplicavelmente, o técnico do Cruzeiro preferiu se submeter à defesa remendada, já que Henrique não é da posição, do que utilizar um promissor zagueiro da base, que já havia jogado bem em outros momentos. O resultado foi desastroso: Henrique saiu expulso do jogo, típico lance que “estraga a partida inteira”. O volante nunca havia sido expulso com a camisa do Cruzeiro e a única vez que tinha jogado na posição foi num empate de 4x4 contra o Ituiutaba (sim, aquele de 2008). Impossível colocar um projeto em prática diante de um time com 10 jogadores. Se o empate viesse, certamente seria comemorado. Vacilo de Henrique? Talvez. Mas o problema começa na escalação.

O jogo segue, e o que ainda me restava de esperança se dilui. Mano não faz nenhuma substituição. Cabral é improvisado de zagueiro. Coisas que só o técnico gaúcho nos proporciona. Quando Mano teve a brilhante de colocar Murilo no jogo, numa bela demonstração de timing, retirou Wanchope Ábila. O Cruzeiro, quando melhor na partida, partiu para o contra-ataque sem ter ninguém na frente. Era a posição para Ábila, artilheiro do time que, entretanto, sai do jogo quando mais precisamos da sua especialidade. Mano deve regojizar-se com um time que fica três jogos seguidos sem fazer gol. Curiosamente, nossas últimas bolas na rede tiveram todas participação direta ou indireta de Ábila. O técnico não gosta dele. São coisas do Mano.

Sobre o resto do jogo, nem preciso me alongar. Time melhorou no segundo tempo, mas enquanto o Grêmio de Renato Gaúcho goleava a Chapecoense — que deu um vareio de bola no Cruzeiro na quinta — a Raposa jogava como time de 10 jogadores: sem conseguir atacar nem defender bem. Cômico, já que até com 11 jogadores o time não consegue fazer gols e toma outros inacreditáveis. Já vimos isso em outros jogos.

O jogo ruim contra o Bahia é só a continuidade de um processo de apequenamento que vem de muito tempo. São dez meses de trabalho e o Cruzeiro de Mano Menezes é o time dos piores jogos de todos os tempos da última semana. Não me contento com um time que, com um a menos, corre muito no segundo tempo e consegue melhorar, mesmo sem fazer gols. Dar um tapinha nas costas de Mano é um elogio ao fracasso. A lambança começou na escalação e ganhou continuidade no jogo. Mais uma derrota para a conta dele. Se hoje foi ruim, espera pra ver o próximo.

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