O Senhorio de Cristo versus a vontade humana
Você já se deparou com áreas da sua vida que continuam a lhe ricochetear constantemente como um ciclo vicioso e sem expectativa de um fim próximo? Se você tem enfrentado essa dificuldade, eu quero compartilhar com você algo que pode nortear a sua caminhada e lhe dar uma nova perspectiva de visão…
Nós somos a geração que vive em meio a época denominada “pós-cristã” ou “pós-cristianismo” cujo aspecto principal é o discurso negligente da nossa fé como sendo algo não necessário para que nos relacionamos com tudo o que existe. A partir disso, criamos uma realidade dicotomizada: separamos tudo o que pensamos ser “secular” e nos voltamos radicalmente para coisas não tão sagradas assim. Somos capazes de gerar uma subcultura para “vivermos” de modo digno diante de Deus tentando desenvolver uma espiritualidade diabólica que limita ou diminui a atuação do senhorio de Jesus sobre todas as coisas.
“Quando você diminui o senhorio de Jesus, você cria uma realidade dividida. E dentro dessa realidade dividida você cria uma lista daquilo que você considera correto na caminhada.” — Aldair Queiroz
Mas se de fato você crê no Jesus pelo qual “todas as coisas foram criadas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades, o qual todas as coisas subsistem por ele e para ele” (Cl 1:16,17), você deve entender que a obra da cruz lhe retira todo esse direito de conduzir a sua vida como você bem entende. O modo como você conduz a sua vida deve apontar para a cruz. O fruto produzido naqueles que foram lavados e justificados no sangue do Cordeiro é o reconhecimento de Jesus não apenas como o Messias, o Servo Sofredor, mas como o Justo Juiz que é Rei sobre um mandato eterno e Senhor sobre TODAS AS COISAS, inclusive a sua própria vida.
Francis Schaeffer argumenta que na criação o homem e a mulher receberam o domínio (senhorio) sobre toda a terra criada. Ambos foram criados a imagem e semelhança de Deus, ou seja, eles carregavam em si não somente a imagem de Deus, mas o senhorio de Cristo estava sobre eles! E a partir do momento em que o homem desobedece a Deus a sua forma de enxergar não somente a criação mas a si mesmo se torna uma ambiguidade; tudo aparenta ser obscuro, vázio e sem sentido. Esses são os poucos efeitos colaterais que herdamos pela desobediência. Até então somos incapazes de funcionar como antes da queda, pois toda a nossa estrutura (corpo e alma) foi corrompida e desalinhada.
Agora, sofremos com a desordem dos nossos afetos, com a nossa incapacidade de controlar nossas emoções, com nossos relacionamentos destrutivos e nossa maleabilidade de sermos guiados pelo próposito do nosso coração maligno. Sabe por que você continua sendo escravizado pela área que tanto te afeta? Porque você continua querendo ser o feitor da sua própria história. O seu discurso é professar a crença num Jesus que parece não ter tanta autoridade assim, o que faz com que de fato nos tornemos seletivos —entregamos “quase tudo” diante dEle, pois cremos ter força e condição para sustentar algumas outras áreas não tão problemáticas.
O pior erro que o homem pode cometer é crer em si mesmo para sustentar algo fora de Deus no qual habita corporativamente toda a plenitude.
Renda-se ao senhorio de Jesus. Volte novamente diante da cruz do Calvário e entregue nas mãos dEle tudo o que você sabe que não consegue administrar. Permita que Ele desabe edifícios na sua vida que foram construídos fora do único e verdadeiro fundamento; permita que Ele sare o solo do seu coração, retire suas paixões e seus desejos e apresente um vaso de honra santificado e útil para toda boa obra.
“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: É meu!“ — Abraham Kuyper
