Da Vida de Sonhos e Fluidez

Nasceu e como qualquer jovem viu um mundo de esperanças e expectativas. Sonhou com igualdades, melhorias e liberdade. Teve instituições que por valores lhe garantia estabilidade e solidez, estampando propagandas em muros e outdoors. Estabeleceu padrões e tentou a todo custo projetar, controlar e ser bem sucedido com seus intentos de infância. Logo Jovem sobreviveu a guerras, mas viu sofrimento e enterrou amigos.

Estava lá quando a tecnologia impulsionou o desenvolvimento dos patrões, enquanto o fantasma da inutilidade se apossava dos trabalhadores substituídos pelas máquinas.

De crise em crise perdeu a fé. Casamentos, famílias… se tornou intolerante e velou o racismo atávico.

Em nome do controle e da manutenção dos valores tradicionais, apostou em ditaduras. Perseguiu, torturou, matou homens e mulheres.

Sentiu fome, medo e por isso foi palco de insurgências pela liberdade, pelo direito das matas e dos povos. Viu protestos, ouviu vozes e percebeu brilho nos olhos de uma gente que luta.

Ouviu falar de uma tal corrida, mas se decepcionou quando viu que não era pelos homens, que era armamentista.

Já cansado e no fim da vida, se via cada vez menos firme, cada vez menos sólido e quando achou que se desmancharia, foi tornando-se líquido, fluído, e assim pariu um novo século, o XXI.

Um século ainda jovem, que sofre com a herança dos pais e avós, mas que ainda tem muito por fazer. Tem a oportunidade de sonhar novamente, de se renovar, de engajar novas lutas.De não se importar com o que é passageiro…Tem a oportunidade de se perguntar se a fluidez das relações é o caminho mais próximo para solidão, ou um passo para a liberdade.