Aterrissagem

Lucas Mendes
Aug 1, 2018 · 2 min read
Peguei essa imagem só porque achei que seria cômico, não tem tragédia nesse texto não.

Uma das coisas que eu mais gosto na vida são voos domésticos, até porque ficar socado por 9–10 horas na classe econômica de voo internacional não é lá muito atraente sem a expectativa de conhecer um lugar novo. Se o país a ser visitado é a Irlanda, aí que não vale a pena mesmo ficar muito tempo num avião. Porém meu desdém por Dublin pode ser tema de outro texto.

Aos que costumam a pegar ônibus interestadual, já entendem o que digo logo de cara. No máximo tem a criança chorando — que toda vez faz questão de estar bem perto de mim, mas pensando bem, em comparação com o cara que fede cigarro e te acorda toda vez que o ônibus para, acho que dá pra aguentar.

Belo Horizonte- São Paulo demora 9 horas de ônibus, uma horinha de avião, coisa maravilhosa. Ano passado foi o ano que mais peguei esse trecho, queria usar o termo ponte aérea mas já que li aqui que é só usado entre Rio e São Paulo. Nesse vai e vem, me interessei a saber mais sobre aviões e aeroportos. Uma das coisas que li é que a parte mais difícil pro piloto é a aterrissagem e que é muito cordial elogiar a manobra caso o piloto venha cumprimentar quando se está saindo da aeronave. Essa informação é o tipo de coisa que eu sempre penso em fazer, mas não consigo, mesmo que eu sempre lembre. É uma timidez inexplicável. Maioria das vezes, é só vontade de ir no banheiro. Nem tudo tem significado profundo.

O lado bom do voo G3–1309 é que quase sempre é pontual e não dá tempo nem de perceber se a pessoa do seu lado vai ser incômoda, até porque você já tá pensando na coca meio quente que a aeromoça vai oferecer logo mais. Esse mundo de expectativas em menos de uma hora é o que me fascina nos voos de curta duração. A primeira é: ‘quando vão deixar reclinar a cadeira?’ Depois, a coca, e por último, ‘já era pra tá aterrissando né? Olha o horário’. Já no voo de volta, na segunda de manhã, quase todos com cara de ‘infelizmente já tem que voltar’. Parece que uma história de vida toda pode ser colocada nesse trecho de pouco mais de 60 minutos.

Lucas Mendes

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